domingo, 23 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Testamento


Manoel Bandeira
O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros - perdi-os...
Tive amores - esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Querida, cheguei!

Estava em frente, mas do outro lado da rua. Já se passara pelo menos uns 15 minutos...
Escutei um barulho no portão e vi um rapaz sair... É ele, mas não tem problema, saiu mesmo sem vontade atravessou a movimentada avenida, passou por mim, bem ao lado que sai do caminho para não tocá-lo, enquanto sorri de cabeça baixa, vi que não me reconheceu. Normal nunca me viu.
Respiro fundo de novo, como se criando coragem, não preciso a tenho o suficiente para estar ali. Não avisei que chegaria, é claro, assim acontecem às surpresas. Puxei mais a frente à aba do boné, acertei melhor os óculos escuros e fui ao encontro do mesmo portão que o rapaz saiu.
Uma senhora faladeira, saia afobada e nem respondeu ao meu "bom dia", mas deixou-me entrar inconseqüente de quem seria.
Informei-me com uma pessoa qual seria a porta certa, ainda sorrindo me direcionei a ela.
Parei... Novamente respirei.
Levantei o punho e parei...
De repente passou como um filme toda nossa história, as conversas, o charme jogado, as entre linhas escritas, a curiosidade do ver, até uma espera que parecia eterna, olhando para uma escadaria numa terra longe e neutra.
O encontro, o toque, um respiração ofegante...
Mais um respiro... Toc, toc, toc
O ranger de uma porta, parece trazer uma avalanche de sentimentos...
Ela vai se abrindo lentamente, estou pronto pra dizer...
- Querida cheguei!
Então me aparece um homem meio que dormindo ainda e diz.
- O que você quer?
Surpresa!!!
Diante de minha mudez, fecha a porta novamente.
Caracas, era só falar o nome dela e pronto.
Relutante, eu levanto o punho novamente.
Toc, toc, toc.
Uma senhora aparece dessa vez. Olha-me de cima a baixo, olha a mochila que trago nos ombros, me encara e mais uma vez a voz não saiu, ela séria então me diz.
- Não quero comprar nada.
E a porta é fechada de novo.
Novamente, nenhuma palavra conseguiu ultrapassar a garganta, raspar nos dentes e sair da boca.
De novo deu-me um branco...
Dei dois passos pra trás, acertei tudo novamente, boné, óculos, alças, respirei e fui novamente com o punho fechado em direção a porta. Então antes que eu a tocasse ela abriu-se...
Desta vez três pessoas vieram de uma só vez... E lá estava ela a frente de todos...
Engoli a saliva e disse:
- Querida cheguei.

(Se aconteceu ou acontecerá, não sei. Só sei que foi assim...)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ilusão de ótica.

Depois da postagem convidando aos colegas a verem o melhor dos The Beatles, do texto "Quem engana quem afinal" ou ainda 3D - Enganando o cérebro, me interessei pelo tema da Ilusão de Ótica.
Pode o cérebro nos enganar tanto assim? Ou alguns de nossos sentidos é que engana ele?
Comecemos pelo titulo, "Ilusão de ótica". Tudo que engana nosso sistema visual, vitima também das interpretações do cérebro, e nos faz ver qualquer coisa de um modo errôneo ou ainda inexistente, usamos esse termo.
Muitas dessas "visões" são diretamente de caráter fisiológico, outras estão ligadas ao nosso processo mental de percepção, memória ou até mesmo de juízo ou raciocínio.
Cada um na sua importância, nossos 5 sentidos captam as informações, mandam para o cérebro para que as interprete e as processe.
Funcionalidades da maravilhosa máquina humana.
Dentre todos os sentidos a visão, talvez, seja a que mais envia informações que podem ser deturpadas ao cérebro.
Nossos olhos muitas vezes são enganados por imagens e transmitem essas informações de forma errônea ou não muito corretas ao cérebro, que as interpreta e processa também de forma equivocada.
Essas são definidas como "ilusões de ótica".
O cérebro, o grande condutor, é conduzido a errar.
Abaixo, alguns exemplos para entender esses fenômenos, que acontecem quando o seu cérebro recebe erradamente as informações e os processa também assim, te dando a impressão de você ver algo que realmente não acontece.



O rolar das engrenagens:
Fixe o olhar no ponto preto no centro da imagem e vá movimentando primeiro lentamente a cabeça para a frente e para trás e depois a movimente um pouco mais rápido.

 

















Movimentações das rodas:
Fixe o olhar  em um dos pontos pretos da imagem e perceba o que acontece com os demais círculos em volta.

  

Cores da nossa bandeira:
Fixe o olhar  na letra "e" da frase Ordem e Progresso por aulguns segundos. depois olhe para uma parede ou papel branco, pisque os olhos algumas vezes e vera as verdadeiras cores.