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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Novo livro: Andarilho

 


Q
uando a vida parece estagnada, um homem decide partir. Deixa para trás sua cidade e se lança às rodovias e estradas como quem aceita um chamado antigo: o de se perder para, enfim, se encontrar. Torna-se um Andarilho. Sem destino definido, segue movido pela esperança de compreender a si mesmo e de reconhecer, em algum ponto do caminho, o amor que sempre pressentiu existir.

À maneira de um Dom Quixote moderno, enfrenta o mundo com coragem, ingenuidade e fé nas próprias convicções. Ao longo da jornada, encontra Dingo, um cão errante que se torna seu fiel companheiro — escudeiro silencioso, Sancho Pança de quatro patas, presença constante nas horas difíceis e nos raros momentos de alegria.

Entre caronas incertas, noites ao relento, encontros improváveis e desafios que testam seus limites, o andarilho aprende que a estrada não transforma apenas quem chega, mas sobretudo quem insiste em seguir. E é após muitos quilômetros percorridos que ele descobre sua Dulcineia: não apenas um amor, mas a confirmação de que toda caminhada valeu a pena.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

O sonho de trinta anos

 Nessa noite, algo antigo retornou.

Não como lembrança, mas como se o tempo tivesse se dobrado sobre si mesmo, permitindo que eu pisasse novamente em um terreno onírico que havia visitado há cerca de trinta anos. Um sonho tão distante que quase se apagara, mas ainda pulsava em algum canto silencioso da memória.

Eu era jovem naquela primeira vez, nos meus vinte e poucos anos, e participava de uma excursão pequena, não mais que dez pessoas. Partimos de São Paulo em um avião modesto, rumo a uma região montanhosa nos Estados Unidos. O casal de guias se apresentou durante o voo, e a guia — linda, serena e firme — prendia minha atenção enquanto, com uma pequena tela nas mãos, explicava a jornada que faríamos.

Logo após a primeira parada, ainda em solo brasileiro, passaríamos um dia em uma pequena cidade, onde pegaríamos o helicóptero que completaria o trajeto. Fomos levados até a casa simples dos pais do guia, casal jovem e acolhedor, onde dormiríamos. Foi ali que me apaixonei pela guia. Foi ali que dormimos juntos. Tudo aconteceu com a naturalidade de quem vive um amor súbito e inevitável.

No dia seguinte, fomos almoçar antes de seguir viagem. Lembro do guia comprando, para seu sobrinho, uma miniatura de ônibus — frágil, simples, e talvez bonita apenas aos olhos de quem desejava agradar uma criança distante. O restaurante onde comemos era rústico, com paredes de madeira por onde um bode montanhês subia e descia usando pequenas plataformas presas na parede. Uma cena improvável e encantadora.

Terminada a refeição, dividimo-nos em carros para seguir até a casa dos pais da minha amada, de onde partiria o helicóptero. Ela trocou de lugar com um dos viajantes e veio ao meu lado, de mãos dadas. Encontramos sua casa tão simples quanto a do outro casal. Lá, uma festa singela acontecia. Seu pai, ainda jovem, estava gravemente doente, com pouco tempo de vida. Ela se despediria dele naquela manhã e, na festa, fui apresentado como “meu novo amor”. Havia balões brancos pendurados, flutuando num ar de alegria frágil. Cada um assinou um deles com votos de melhora. Eu o fiz também.

Depois disso, a memória da viagem se dilui. Sei apenas que seguimos para o grande avião que nos levaria aos Estados Unidos, e a história se dissolveu nos anos, como tantos sonhos que nos visitam uma única vez.

Até hoje.


Acordei dentro do mesmo sonho, mas agora com meus sessenta e dois anos. O roteiro era idêntico, mas as faces haviam envelhecido comigo. Onde antes estava a jovem guia, surgia agora uma senhora animada e simpática. Era ela — envelhecida, mas reconhecível na energia que sempre teve.

Chegamos à mesma casinha simples da primeira viagem, mas agora restaurada e bonita. O guia nos aguardava, já adulto, e eu não pude evitar o comentário: “É a mesma casa. Estou no mesmo sonho depois de trinta anos.”
Um colega me perguntou se eu já estivera ali antes. Não respondi.

A guia aproximou-se e, percebendo minha emoção contida, perguntou se eu conhecia aquele lugar. Contei-lhe o que lembrava do sonho antigo, e ela me abraçou longamente, como quem reencontra uma história que não sabia que tinha vivido.

Saímos para ver a cidade. A loja onde o guia comprara o pequeno ônibus ainda existia, mas irreconhecível, modernizada. Rimos juntos ao lembrar da compra ingênua de décadas atrás. Fomos, então, ao mesmo restaurante. O ambiente permanecia rústico. O dono era outro — descendente do primeiro. E, diante de nossos olhos, um bode montanhês subiu pelas paredes exatamente como o anterior. Não era o mesmo, mas repetia o ritual como se obedecesse a um roteiro guardado no tempo.

Após o almoço, novamente houve a troca de carros que nos colocou lado a lado, como antes.

Chegamos à casa dos pais da guia e, para minha surpresa, seu pai ainda estava vivo. Revelei quem eu era: o homem que, trinta anos antes, assinara um balão desejando sua melhora. Ele saiu e voltou trazendo o balão — agora murcho, mas intacto o suficiente para que eu reconhecesse minha própria assinatura.
Ali, sentado ao lado dela, assisti à alegria silenciosa daquele reencontro impossível.

Foi nesse instante que o latir dos meus sete cães rompeu o silêncio do sonho e me trouxe à consciência.

Acordei incrédulo, tomado por uma saudade que não sabia nomear. Saudade de uma história que não vivi, de um amor que existiu apenas em duas faixas paralelas de tempo e de um sentimento que, por alguma razão, decidiu me visitar novamente agora.

Uma saudade de algo que parece ter acontecido… e, de certa forma, aconteceu. Porque, ao sonhá-lo duas vezes, com trinta anos de distância, ele se tornou parte de mim.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Um dia com Ele

 


D
epois de uma conversa com um amigo,assaria uma pergunta ficou martelandona minha cabeça:

— Com quem você passaria um dia, se pudesse escolher qualquer pessoa?

Respondi sem pensar, mas algo naquela pergunta grudou em mim. Fiquei imaginando... e talvez fosse assim:

Simplesmente abri os olhos. E Ele estava ali. Na minha frente.

Como reconhecê-Lo se nunca O vi?

— Olá. Tudo bem com você? — disse Ele com a voz mais serena que já ouvi.

— Sim... — respondi, meio zonzo — Onde estou? Quem é você?

— Você queria passar um dia comigo — disse abrindo os braços com um sorriso calmo.

— Aqui estou.

Olhei ao redor. Estávamos sentados em bancos macios, no meio de um imenso campo gramado, salpicado de pequenas flores amarelas e brancas. O lugar transbordava paz.

— Você escolheu esse cenário. Acredito que, no fundo da sua mente, era o que desejava para este momento.

— É lindo... — murmurei, encantado.

— Você tem um gosto maravilhoso. Também adoro lugares assim, onde reina a calma.

— Você é Ele? Digo, o Senhor?

— Sim, sou — respondeu, com um leve sorriso.

Tudo ali parecia retirado de um sonho. O céu começava a se tingir de laranja com o nascer do sol. Animais pastavam ao longe, com uma leveza inacreditável, contornando as flores como se respeitassem a beleza delas.

— Eu... morri? — perguntei, surpreendentemente tranquilo.

— Não, meu amigo. Você apenas desejou estar aqui. E Eu vim ao seu encontro.

— É... eu desejei muito. Só nunca imaginei que seria possível.

— E como você está? Apesar de tudo isso estar acontecendo agora?

Virei para olhá-Lo de frente. E então percebi algo estranho: eu O via com nitidez, mas não conseguia descrevê-Lo. Era como se minha mente não soubesse processar o que via. Não havia cor, idade, raça ou traço específico. Mas eu sabia, com todo o meu ser, que era Ele.

— Não se preocupe com isso — disse, lendo meus pensamentos. — Apenas relaxe.

Ele riu levemente, e percebi que estava se divertindo com minha tentativa frustrada de descrevê-Lo.

— Acho que estou bem. Mas, sinceramente, não sei o que dizer. O que perguntar. É tudo tão... surreal.

— Tudo bem. Fique à vontade. Podemos apenas conversar, se quiser.

— Esse lugar... é lindo demais. — Foi só o que consegui dizer.

— E você ainda não viu tudo. Olhe para a esquerda. Sei que você gosta de lagos.

E, como se um pintor começasse a desenhar diante de mim, surgiu um pequeno lago de águas cristalinas. Era mágico.

— Vamos pescar?

Antes que eu respondesse, já estávamos à beira do lago, cada um com uma vara de pesca na mão.

— Também gosto de pescar. Costumavam me chamar de pescador de homens. Sou bom nisso — disse Ele, com um sorriso brincalhão.

Olhei surpreso e, antes que pudesse responder, Ele apontou:

— Acho que você pegou um.

Puxei a linha com entusiasmo e vi o peixe deslizar na água, relutante. Sorri. Adoro pescar. Ele sabia.

Conversamos sobre tudo. O lago, o céu, os cachorros que eu amava, os trovões que eu não suportava. Falamos sobre o espaço, o mar, a vida. Nada de perguntas profundas. Apenas conversa. Natural, leve.

Em algum momento, confessei que nunca teria coragem de andar sobre as águas — só de pensar, me dava arrepios. Ele riu, aquele riso gostoso, longo.

Ele também fisgou um peixe. Quando olhei o cesto ao lado Dele, estava cheio.

— Ei, isso não é justo! Você multiplicou seus peixes!

Caímos na risada. Rimos até as lágrimas escorrerem. Foi um dia perfeito.

O tempo passou devagar. E, quando percebi, já era hora de ir.

Abracei-O com força. Agradeci, com o coração transbordando. E foi então que percebi: não fiz nenhuma daquelas perguntas importantes que eu sempre quis. Nenhuma. E não senti falta.

Ele colocou a mão no meu rosto, depois em meus ombros, e disse:

— Nada é mais importante que você. Siga seu caminho com amor e simplicidade.

Ajude, se puder. E, se não puder, pense com fé: tudo ficará bem. E ficará.

Uma lágrima escorreu. Ele me abraçou mais uma vez. E eu só consegui dizer:

— Eu te amo.

Abri os olhos.

Minha família estava reunida ao meu redor, cantando parabéns. Era meu aniversário.

Obrigado pelo presente.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Pré-venda da antologia Caronte

              Tá, eu sei que já viu no whatsapp, Instagram, Facebook e em tudo quanto é lugar, mas eu tinha que fazer propaganda aqui também, né. Paciência.

              A ideia de participar da seletiva dessa antologia do Editorial Medusa, nome sugestivo, surgiu depois que alguns amigos leitores das minhas sandices, dar bom retorno sobre a série Contos do Igarapés. Não tem nada de medonho, a série só tem um conto sinistro aqui, um sobrenatural ali, nada de assustar ou tirar o sono.

              O tema da seletiva também ajudou muito, "Caronte", gosto dessa linha, apesar de não escrever muito sobre. Aos que não sabem, Caronte é o barqueiro das almas, que por moedas conduz os mortos ao pelo rio Estige até seu destino final. Só isso já arrepia. 

              Para quem gosta da temática ou leu alguns dos Contos do Igarapés, é um ótimo livro. Com certeza irá gostar e se comprar nessa pré-venda, ainda ganha brindes.

              Está vendo, nem doeu. Bora lá!


                                                                      Antologia Caronte


terça-feira, 13 de maio de 2025

Caminhando eu vou...

Outro dia, conheci um pastor incrível.

Rir sempre foi meu remédio. Para dores da alma, da mente, do coração. Para mim, funciona.
Estava atravessando uma fase difícil — daquelas que dilaceram devagar, dia após dia, sugando nossas forças. Mas resisti. Sou mais teimoso que a vida.

Aprendi que nem sempre é preciso bater de frente com o que nos fere.
Mas também não adianta fingir que não dói. O descaso só alimenta o que queríamos ignorar.
Não, não me converti. Não comecei a frequentar igreja. Mas renasci.
Redobrei minha fé. Fortaleci meu espírito.

Este não é um texto religioso, nem um testemunho ensaiado para convencer alguém. É só verdade.
Somos como livros. Alguns longos, cheios de páginas, com histórias que se estendem por uma vida.
Outros são como esse texto: curtos, mas ainda assim cheios de sentido.

Depois da tempestade, a página virou. E o que encontrei ali poderia fazer qualquer um feliz.
Mas como tudo na vida, também essa página passou.
Virei por vontade própria. O que estava escrito nela já não sustentava a minha felicidade por completo.
Vieram alguns dissabores, sim, mas eram suportáveis.

Cansado, quase cedi à negatividade.
Então, decidi assistir a um culto online. Talvez só para tentar ver alguém que amo e que poderia aparecer na transmissão. E ele apareceu.
Mas, curiosamente, não foi ele que mais me tocou.

O pastor que abriu o culto me chamou atenção de imediato.
Tinha algo familiar. Seu jeito de falar, os trejeitos — lembrou-me Fabiano Cambota, aquele comediante de quem gosto tanto.
E então ele começou a saudar os visitantes, tanto os que estavam no templo quanto os que assistiam de casa.

Foi aí que tudo mudou.

Ele puxou uma canção animada e convidou todos a cantar junto.
A plateia respondeu com alegria.
E eu, do outro lado da tela, fui contagiado.

Não foi só a música, nem a simpatia do pastor — foi a energia boa, sincera, quase palpável, que ele transmitia.
Me fez sorrir de verdade. Me fez lembrar que, sim, é possível recomeçar com leveza.

Esse pastor é único. Natural. Verdadeiro.
E espero, de coração, que ele siga firme no caminho que escolheu trilhar. Admirável.

Minha religião?
Deus.
Simples assim.

“Caminhando eu vou, pra Canaã... Caminhando eu vou, pra Canaã...”


segunda-feira, 17 de março de 2025

6.2 - Não é só mais um ano que chegou

 

6.2 - Quem disse que eu não chegava?

Chegar aos 6.2 (sim, eu gosto desse toque moderno) é tipo atualizar o software da vida para a versão premium: mais experiência, mais histórias para contar, mais motivos para rir das pequenas coisas e, claro, mais chances de dar aquele “tilt” inesperado – afinal, os sistemas antigos sempre têm suas falhas.

Ano passado o ChatGPT me disse: “Lembre-se: as rugas são apenas linhas de sabedoria que o tempo desenhou em seu rosto”. Fácil pra ele falar, né? Quem dera eu ser digital e não ter que encarar o espelho todo dia. ChatGPT, quer saber? Aqui pra você. Rusgas! Vai vendo.

E pra responder a pergunta inicial – o primeiro a duvidar fui eu mesmo. Mas não é que eu cheguei?

Vamos à retrospectiva:

5.9 – Até cheguei, mas parecia aqueles videogames antigos: cheio de trancos e travamentos. Fechei o ano com perdas e, se fosse só da minha sanidade, até que tava bom. Uma pessoa querida subiu aos céus e outra foi atravessar o mundo, e eu fiquei meio perdido. Fiquei um pouco mais só e pensei: “ano que vem será melhor”. E veio o esperado 2023.

6.0 – Opa, começou com mais duas perdas. Mais dores, mais orações. Um preferiu me esquecer, e outra, essa eu jamais esquecerei. Saudades eternas, mãe. Melhor ser breve nesse ano.

6.1 – A cabeça tava uma bagunça, tanto quanto a vida. Bati de frente com os problemas, cai pra trás, revidei e a vida me jogou no chão. Problema dela, olha eu de pé outra vez! No começo parecia mais um ano daqueles, mas só parecia. Dei trabalho no trabalho, me descobriram entre tantos e ganhei uma “promoção”. As aspas são porque não foi bem assim, mas deixa quieto. E depois de dois anos sem escrever nada, nem as piadinhas pra roubar sorriso, lancei mais um livro! Nada de concursos e planos, mas prometi a mim mesmo retornar, e aqui estou eu.

6.2 – E não é que cheguei! Bora comemorar! Só não posso pular de alegria porque o joelho pediu aposentadoria antecipada. Nada de exageros nos brindes, a menos que o banheiro esteja pertinho (e tem que ser bem pertinho mesmo). Correr pra um abraço? Correr é exagero. Talvez eu vá devagarinho, com a ajuda de um braço amigo, mas o abraço vai ser sincero e apertado. Pode ser virtual, já me adaptei a isso também. E se puder, manda um emoji bem colorido, porque tá difícil definir as coisas, principalmente se eu estiver chorando (ou rindo, nunca se sabe).

Enfim... Feliz aniversário pra mim! Amo todos vocês... Ô saudades!

quinta-feira, 17 de março de 2022

Relatos dos meus 5.9 (o choro é livre)

 

Já vou logo dizendo, não é para qualquer um.

Uma pessoa que chegou até aqui, tem que comemorar e bebemorar, com tudo que tem direito. Fato

Pensem bem...

Comecei passando pela ditadura, dura feito a vida que levei até aqui, ou seja, nem no parto tive moleza. Nasci e sem ter feito ou falado nada ainda, sentaram uma tapa no meu traseiro, e pior, ficaram felizes com o meu choro. Belo começo de vida.

Bulling não tive na infância, apesar da sequela de pólio ser um prato cheio, tive uma leve caída para a esquerda, mas participava de tudo, do que era permitido. Depois que descobriram essa palavra, sou “bullinado” o tempo todo e não posso nada.

Na adolescência, só sofria de amor. Você, você e você, considerem-se culpadas. Você sabe bem, é você mesmo. Eita dorzinha chata, que se arrasta pela vida toda. E há quem diga que foi bom.

Emprego não tinha. O jeito era se virar por conta mesmo. Haja problemas para conseguir tudo. Por que não inventaram o celular naquela época? Ô gente atrasada.

Sobrevivi ao Collor, mas o malvado levou-me os poucos centavos que tinha na poupança. Ficou sequelas.

Confesso. Chorei por causa de um argentino. Ele marcou no finalzinho e lá se foi a nossa copa.

Tiraram o meu fusca, mas o Itamar trouxe de volta. Tiraram de novo. Aquele ali sim, me levava aonde eu queria e sabia que ia voltar. Todo dolorido, mas voltava.

Cruzeiro, Cruzado, Cruzado novo, cruzado de novo. Parecia um boxeador, levava cruzado da direita, da esquerda e nem via. É como hoje, sou apenas intermediário. O meu que é bom... nada. Coisas da política.

Ah... mas teve coisas boas. 1 filho, quer dizer 2, ou melhor, 3, já que vieram gêmeos e a raspinha do tacho, como dizem os mineiros. 4 filhos. Tudo x4.

A vida ficou mais dura? Pode até ser, mas fiquei mais feliz.

Emprego, desemprego, emprego novo, política, luta disso, (olha o boxeador de volta) luta para ter aquilo, luta para ter direito, para ser perfeito e até luta para ser prefeito. Olha aí aonde cheguei! Ufa... Passei por tudo isso... pois é, passei.

Vem um que promete e se mete em falcatrua. Outro que é diferente e engana a gente. Mais uma que disse ser novidade, mas na brevidade que passou o estrago ficou, ou seja, como sempre, 6 por meia dúzia.

Junta, separa, junta de novo. Muda pra lá, volta pra cá, muda novamente e enfim... finquei a minha âncora. Não que estivesse num mar de rosas, mas foi necessário deixar de navegar. O corpo já dava sinal que estava cansado.

A luta acabou? Que isso? Era 57 e muita disposição. Vem cirurgia, pandemia, alergia, tudo ia, mas voltou.

Isolamento, saudades, perdas e rebeldia.

Sou mais teimoso que a vida.

Cheguei até aqui. Então, viva meus 5.9 !


sábado, 28 de agosto de 2021

Eu, na Paralimpíada? Sei não...

 Assistindo as Paralimpíadas as 4:35 da manhã, de novo, fiquei animado para preparar-me, já pensando nas próximas Paralimpíadas em Paris.

Comecei buscando qual seria o melhor esporte, para que eu possa mostrar e desafiar minha capacidade atlética.

Comecei pensando na Natação... mas, tô fora. A única água que me arriscaria dar umas braçadas, seria a do chuveiro, mas acho que não colocarão essa categoria algum dia.

Pensei... Adoro vôlei, mas também não dá para mim. Apesar de ser jogado sentado, que se encaixa no meu perfil, acho que se levasse uma bolada forte daquelas, na cara, apagaria em definitivo ou passaria por debaixo da rede para resolver esse ataque pessoalmente com o outro time. Sou meio... nervosinho. Não dá.

Futebol, ah esse sim... quer dizer, também não. O melhor é o futebol de cinco. Os caras jogam sem visão nenhuma e são penta campeões olímpicos. Driblam e fazem golaços. E olha que o goleiro tem visão "normal", vêem tudo. Que dizer menos as bolas chutada pelos brasileiros.  Eu iria passar vergonha, ao tentar chutar a bola e, ainda que tivesse sem a venda nos olhos, mandar lá na torcida. Que para sorte minha, nesses tempos não estaria lá. Sem chances.

Assisti uma partida de Golbol e achei que seria a melhor escolha. Mero engano. Eles e elas, giram e jogam a bola com uma velocidade incrível. Se atiram literalmente nas bolas fazendo grandes defesas, só por ouvir os guizos dentro da esfera. Eu, de tanto ouvir rock muito alto, acho que nem ouviria a buzina que avisa o término da partida. Com certeza todos iriam para casa no final das partidas e só ficaria eu de olhos vendados, esperando o arremesso adversário. Esse também não.

Atletismo, sem chance. Correr, saltar e lançar, exigem muito esforço físico e no auge da minha adiantada idade e disposição, acho que nem chegaria ao estádio. Só atrasaria o termino das competições.

No tênis de mesa, como sou meio desligado nem ia ver a cor da bola ou pior, terminaria deixando a raquete escapar das mãos e acertaria alguém.  Pobre do juiz. Assistir uma partida minha, seria muito perigoso.

Será que tem algum esporte parecido com... jogar palitinhos?

Bom, competir realmente não dá. Pensei talvez, em ser comentarista. Bem, não tenho experiência esportiva, não convivo com nenhum atleta, choro demais em todas as vitórias e nem conseguiria falar nas conquistas de medalhas, fico muito nervoso com a arbitragem e confesso, poderia soltar uns palavrões. Não... também não daria certo.

O melhor é ficar aqui mesmo, a distância, e torcer muito. Nisso eu sou bom mesmo.

Vai Brasil!!!

Tomara que Paris chegue logo, minhas olheiras (bocejo) depois da Olimpíadas e Paralimpíadas no Japão, estão horríveis.

Paralimpíadas. A nossa realidade.

 Como conter as lágrimas? Eu não consegui.

Quando iniciou as Olimpíadas de Tokio, sabia que iria me decepcionar e me orgulhar muito com vários esportes, dentre eles meus preferidos, atletismo, futebol e voleibol. E aconteceu mesmo.

Sinto me muito feliz e emocionado a cada execução do nosso hino, isso significa conquista da medalha de ouro. Outro motivador de felicidade e lágrimas são as demais conquistas, ou não, recheadas de história de muitos sacrifícios. Mas, enfim chegou o que mais esperava... As Paralimpíadas.

Acordar as 4 da manhã para ver as competições, incomoda um pouco, mas é compensador.

Assistir a natação é algo de outro mundo. É para mim o esporte que de longe mais simboliza as Paralimpíadas. Eu, que em se tratando de água tenho medo até do banho, fico maravilhado de ver os atletas da natação paralímpica caírem na água. Fico a cada evento me perguntando como conseguem? Confesso que fico feliz e envergonhado. 

Feliz por cada história narrada dos atletas, suas incríveis superações, suas determinação em ser melhores a cada dia, sua dolorosa separação da família e dedicação ao esporte. E quando falo em dolorosa separação familiar, é porque muitos deles quando estão fora dos ambientes esportivos, são atendidos com a mesma dedicação pelos familiares. 

Agora a vergonha é por conta do descaso que sofrem para chegarem lá e em outras competições.

Vergonha de ver ídolos, principalmente do futebol, não abraçar essa categoria de competição, de governos que só investem porque são cobrados a todo momento para fazer seu papel social. Vergonha de saber que muitos outros poderiam estar lá competindo e não tem a mínimo apoio. Que empresas e outras iniciativas com lucros astronomicos, ignoram essa importante realidade. 

Vale a pena?

Olhem o quadro de medalhas ao final de cada evento e reflita. Pergunte quanto ganha cada atleta para sobreviver e chegar até aquelas medalhas.

Um site "conceituado", a cada medalha ganha pelos atletas olímpicos, estancava em um banner grandioso no cabeçalho da página uma imagem belíssima do grande campeão. Lindo, merecedor e digno de se ver. Quando ganhamos nossa primeira medalha de ouro nas paralimpíadas, imediatamente fui buscar essa imagem no tal site. E cadê?

Claro que ele não colocou, apenas citou em uma notinha pequena, que o Brasil havia ganho uma medalha. Parabéns!!!

Com certeza, nenhum patrocinador quis bancar esse espaço comercial do site, para destacar a conquista e diante dessa falta de investimento, o site também não se interessou em assumir o espaço. Acontece.

Afinal, aqui é Brasil.

Quanto orgulho tenho de ser deficiente físico. Essa característica só me faz ser melhor a cada dia. Melhor do que alguém? Claro que não. Melhor que eu mesmo, de ontem.


Em tempo... parabéns SporTV pela transmissão e o fantástico espaço que abriu para os comentaristas PCDs nessa Paralimpíadas Tókio 2020.

sábado, 20 de março de 2021

Minha primeira vez

Respire fundo e mente aberta. 

Era um dia como outro qualquer, mas nós sabíamos que ele seria especial.

Logo pela manhã, nos cumprimentamos com um beijo caloroso, um verdadeiro “bom dia” que parecia carregar consigo a promessa de algo marcante. Enquanto tomávamos o café, nossas xícaras de líquido quente se moviam de forma sincronizada, assim como os toques sutis de nossos pés sob a mesa. Ela, como sempre, estava radiante, vestindo um delicado vestido verde claro, curto e com um decote discreto. Linda, emanava felicidade, mas havia algo em seus olhos – uma leve inquietação.

Entre risos e gestos quase automáticos ao recolhermos a louça, nossos dedos se tocaram, quase sem querer, e o que parecia ser nervosismo começou a se revelar. Talvez ela se preocupasse com a minha inexperiência, talvez não quisesse que eu me sentisse pressionado. Confesso que eu mesmo estava apreensivo. Era a minha primeira vez, e eu temia não estar à altura, mas sabia que precisava acontecer. Ela, com sua experiência, parecia entender o peso do momento.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, com diálogos curtos, como se evitássemos encarar o que estava por vir. Ela tentava aliviar minha tensão com pequenos gestos e sorrisos, enquanto a água da torneira caía sobre os pratos que ela enxaguava.

Dirigi-me ao local onde tudo aconteceria e esperei por ela. Enquanto meus pensamentos se embaralhavam, ela chegou silenciosamente, abraçou-me por trás e sussurrou:

— Vamos agora?

Estremeci, mas balancei a cabeça afirmativamente. Virei-me para ela, toquei seus lábios com delicadeza e dei um passo para trás, revelando um lençol azul que havia comprado dois dias antes, guardado para esse momento.

Ela se posicionou ao meu lado, estendeu o vestido que carregava e disse calmamente:

— Coloque ali, sem enrolar.

Com a habilidade de quem já sabia o que fazer, foi passando peça por peça de suas roupas. Eu olhava, meio constrangido, e então fiz o mesmo com as minhas. Olhamo-nos mais uma vez e ela sorriu.

— Feche a porta. Agora podemos começar.

Com as mãos um pouco trêmulas, um nervosismo aparente, ergui minha mão e ela me corrigiu.

— Aí, não! Só depois — ela corrigiu, rindo. — Aqui primeiro, mas com cuidado. É muito sensível.

Então, apertei o botão iniciar, e então a lavadora começou a funcionar.

Sim, a minha primeira vez lavando roupas!

Ah, o que você achou que fosse? Oras! Você só pensa... naquilo.
Como é difícil ser um homem.


quarta-feira, 17 de março de 2021

Mais um Niver, 5.8 - Só no álcool (em geo(referenciado))

Como é bom comemorar mais um aniversário, o quinquagésimo oitavo... Caracas, até escrevendo parece velho.

E numa rápida retrospectiva, muitas vitórias, felicidades e um batalhão de amigos conquistados e amados.

O espelho, pobre coitado, ainda tenta me convencer que estou envelhecendo. Ah... se ele pudesse mostrar meu interior.

Tombos, tive mais alguns. Culpa da bengala, da cerveja, da distração, da vida... Sem maiores consequências, além da dor e da vergonha de errar mais uma vez. Mas eles também servem de alerta para as lambanças que apronto.

Perdi amigos, sim... Maledito vírus. Mas um coração nunca perde a lembrança e carinho por eles. Os amo.

Vitórias... Dessas é muito bom falar.

Elas só veem porque creio Nele e me basta. 

Mais um livro publicado (só espero que gostem), mais amigos conquistados (só espero não decepcionar), mais um ano endividado (mas tô pagando...). Crescimento afetivo, crescimento profissional,  de reconhecimento de amigos, de maturidade... Muitos crescimentos... só de estatura que acho diminuí um pouco, dizem que é normal.

Muitos ganhos. Filhos mais perto, esposa mais perto ainda (isso é bom), concursos literários (tenho sorte pra caramba), prestigio, presentes, mais cachorros, enfim... Na minha balança comercial/emocional: Lucro total.

Está bem, chega de blá, blá, blá e vamos as comemorações. Cadê o abridor??

Ah!!! Hoje tem live de lançamento do livro Um Garoto Chamado Foca, no Facebook às 19:30... Já ia esquecendo.
Eita... Estou ficando esquecido, será que estou ficando velho???

...Normal


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Ressabiado

Não sei se com vocês também é assim, mas eu ando meio... ressabiado.
De manhã até a noite, qualquer horário que ligo a televisão, o assunto é Covid19 ou política.
De política nem quero falar, cada um tem o argumento que mais lhe agrada para defender um lado ou atacar o outro.
Já de pandemia...
Está igual a política.
Temos três vacinas, cada qual com seu percentual de "eficácia", o governo compra as três e cogita mais duas e eu nesse mundo vacinal, nem sei o que aplicaram em mim.
Tem gente, médicos conceituados, que defendem tudo isso, mas do outro lado tem os que "alertam" que tudo isso está sendo exagerado, guiados para criar o caos, para interesses de outros.
Remédios preventivos, defendidos e atacados, com um vigor assustados.
Penso: E se esses "lados" baixassem um pouco a guarda e conversassem, acredito que chegaríamos a um comum do bem.
Lembro: Ano que vem é de eleições... Eles também lembram disso.
Com certeza pediram o VAR da política, para mostrar o que fizeram ou não.
Então melhor esquecer, colocar a máscara, ficar em casa e agradecer por mais um dia.



domingo, 7 de fevereiro de 2021

Pedidos aleatório a quem possa atender

Por favor...,

Fazei-me que procure mais, 

pois não sei onde guardei e nem sei se perdi;

Ajudai-me a entender,

pois só eu não ri e até disso riram;

Fortalecei-me entre os amigos, 

já que só eu corri ao banheiro, devolver a cerveja;

Protegei-me do forte,

pois não sabia que ela era casada(não que eu...);

Orientai-me que me ache, 

pois já que nem sei o que faço aqui;

Enfim, ensinai-me, 

já que errei de novo na ortografia e concordância.

E assim... Foi.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A máquina de café


 E
ra o ponto de encontro no começo da tarde.

O primeiro a chegar até a máquina foi ele, o Saile.

Chegou bem confiante, parou em frente ao café, colocou as mãos na cintura e balançando nas pontas dos pés, ficou observando as opções.

Esticou o braço, foi com seu indicador até um dos botões e retornou rapidamente. Com certeza não pegaria isso. Afastou-se um pouco. 

Diante de sua dúvida outro colega chegou e escolheu um item. O cheiro gostoso parece que o fez decidir. O colega voltou para seu trabalho com o copo a mão e ele ficou ali olhando até ele sumir de sua visão. 

Pensou mais um pouco e ariscou novo avanço com seu dedo. Chegou até relar no botão, mas novamente recolheu sem selecionar algo, balançando a cabeça negativamente.

Chegaram mais dois amigos e ele se afastou deixando-os pegar algo. Provavelmente para ver o que pegariam, aí quem sabe se decidisse.

Enquanto os dois colegas conversavam, ele ficou observando um café fresquinho cair no copo. Isso o ajudou a decidir. O problema que o outro escolheu um chocolate cremoso, que encheu o espaço com seu cheiro e ele mudou a opinião.

Parecia que as opções oferecidas estavam tornando sua decisão complicada.

Agora se aproximaram três colegas, conversando entre si e gargalhando. O cumprimentaram e cavalheiro, permitiu que elas tomassem sua vez. Um gentleman.

Ficou ali ao lado, sorrindo a cada vez que alguma delas virava-se para ele. Esperou calmamente cada uma pegar sua opção e quando a última se afastou da máquina, parou a energia no prédio.

Ele meio sem jeito se aproximou do bebedouro ao lado da máquina e comentou com as meninas.

- Está muito calor pra tomar café, não é? Melhor uma água fresquinha.

- Mas o bebedouro também é elétrico.

Discretamente e sem graça, colocou seu copo vazio sobre a máquina e saiu de fininho.

Depois de uns 10 passos em direção a seu setor, a energia voltou.

Ele olhou para a máquina, depois para as meninas que também o olhavam e voltou a sua mesa.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Que venha 2021, o resto que se f... (Complete como achar melhor)


Está bem acabamos com 2020 antes que ele acabasse com a gente, digo, nós que conseguimos sobreviver.

Perdi amigos, parentes e basta. Chega disso!

2021 terá que ser diferente, em tudo. Saúde em primeiro lugar é claro. Emprego ou trabalho, vem na sequência para ajudar a garantir o item anterior, aliás, para garantir esse último preciso de minha sanidade, então também é importante.

Nesse ano quero abraçar e beijar meus filhos, sem me preocupar por onde andaram ou por onde passei. Não sou passivo, nem ativo. Não quero levar e nem trazer nada, muito menos um vírus aproveitador. Fique com os rótulos aqueles que deles gostam.

Deixo a preocupação de ser isso ou aquilo, á aqueles que não tem o que fazer e precisam falar de algo. Desde que não seja de mim.

Direita, esquerda, centro. Nada me apraz. São todos farinhas do mesmo saco, e logico que, desde que seja conveniente. Então não me importa de quem corram atrás, mas cheguem lá e sejam felizes.

Enfim chega dessa conversa, o que domina ainda é o poder, e eu não o possuo.

Feliz Ano Novo se quiser ser feliz, modesto Ano Novo se não tiver nem aí com o que cerca sua casa, sua vida e que se dane seu Novo Ano, se for daqueles que querem é mais que o mundo se exploda.

Minha mão está estendida e meu sorriso exposto. Se te bastar, bora tocar mais um ano. Podemos mudar? É claro. Podemos seguir assim mesmo, também é claro, mas ficar no próprio casulo, já não é mais possível.

Acredite em quem quiser, desde que não ignore o mundo em sua volta.

Quer sorrir, sorria. Quer mentir, que minta. Desde que não venha a ferir ou magoar alguém. Diga que criou o Vagalume a led, que mal faz? Mas não deixe de iluminar quem está buscando o seu caminho ao sol.

Está bem, meus dedos tagarelas falaram demais. Coisas que poderá classificar como sandices. Podem até ser, mas me faça um último favor...

VIVA!

Independente disso, meu abraço e meu carinho.

Você é show!

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Quarentena II, o troco

 

Preocupei-me tanto com mamãe por causa da pandemia e aqui estou eu, de molho, com uma forte gripe. Ainda bem que é só uma gripe, mesmo assim, tive que aguentar o troco.
 —Alô... Você está bem, filho? Melhorou? Vê-se não pega uma Corona com isso.
Tudo bem, eu entendo. Ela está preocupada por tudo que está acontecendo e pelo cuidado extremo que estamos tendo, principalmente com ela.

— Tô bem, mãe.
— Não pode sair, filho.
— Eu não saio, mãe.
— Mas tem que usar álcool gel também.
— Eu estou usando, mãe.
— E pare de ficar falando com gente no portão.
— Não falo mãe, é só entrega. Eu tenho que receber.
— Mas aí você vai pegar e termina pegando Corona nisso.
Eu estava percebendo o duplo sentido nas suas palavras, mas o que eu podia falar?
— Você não está mais “com vinte e dezenove”.
— Eu sei mãe, já entendi. Estou me cuidando.
— Tá sim... Não sei... olha só como você está!
— Eu estou bem, mãe. É só uma gripe mais forte.
— Está usando a máscara?
— Não.
— Está vendo, não tô dizendo? Não está vendo as notícias na TV? Tem que usar máscara quando for falar com alguém. Mesmo comigo.
— Mãe, não precisa. Estamos falando por telefone.
— Não me desobedeça e não responde. Coloque a máscara.
Tive que pedir a máscara para Jackie e a coloquei, afinal a minha mãe mandou.
— Pronto mãe.
— Filho? Filho o que aconteceu? Sua voz está diferente?
— Coloquei a máscara, mãe.
— Por quê? Está se sentindo mal? Eu vou pra aí!
— Não mãe, não precisa vir, eu estou bem. Só coloquei porque você pediu.

— Mas não precisa, estamos falando por telefone.
— Mas foi a senhora...
— Mas como você dá trabalho, filho. Vou pedir pra Jackie trancar esse portão. Você não sai mais.
Vai vendo, o que eu posso dizer... 1 x 1.
Essa minha velhinha...

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Uma batalha épica: Eu x esse indecente

 Apesar de não estar prestando atenção ou não ter percebido que o cenário estava montado, quando dei por mim já estava em plena batalha.

O primeiro set aconteceu logo que as luzes se apagaram. Eu estava sonolento sem muita reação, então ele levou vantagem. Esquivei pela direita, chacoalhei a cabeça para esquerda e consegui evitar que ele me acertasse. Nem tive tempo de relaxar e já começou o segundo set.

Protegi as orelhas, cobrindo com minhas mãos, porque ele a achava com facilidade. Virei para um lado, depois para o outro, tentando dificultar sua ação, mas não deu.

Decidido levantei para o terceiro set, agora com a claridade a meu favor e cadê ele? Sumiu! Demorou, mas quando o achei, parti pra cima e o cerquei num canto. Tentei acertá-lo e ele novamente conseguiu sair do meu alcance. Imaginei que enfim o havia derrotado. Voltei para meu canto e relaxei. Poderia enfim descansar meu corpo.

Já vou dizendo que não resolvi e ele voltou para o quarto set mais feroz. Parecia ser mais de um, estava rápido e decidido. Atingia meus dois ouvidos, quase na mesma hora e com tremenda intensidade. Sentia tocar em meu corpo e revidava, mas sem acertar. Não tinha jeito, resolvi levantar e partir com tudo para o quinto set para acabar de vez com ele.

Novamente não o encontrei, por mais que tentasse.

Percebi que daquela forma não o derrotaria e não conseguiria descansar. Nem sei quanto tempo passou, mas resolvi mudar de tática mais uma vez.

Deixe-me deixar bem claro aqui. Não tenho vergonha de mudar de postura para tentar derrotá-lo. Apenas me calcei de melhores condições, só assim poderia derrotá-lo.

Veloz e quase eficaz como Federer, tentei pela direita e errei. O vi passando ao lado. Imediatamente voltei-me para a esquerda. Nada de acertá-lo novamente.

Sétimo round, continuei para cima dele. Saltei tentando acertá-lo, imprimindo mais velocidade, indo rápido de um lado ao outro. Já estava com os braços cansados e muito ofegante, quando escutei um estalo muito alto. Eu o acertei em cheio.

Deixei a humildade de lado e comemorei como um vencedor, olhando o corpo do infeliz sem nenhum sinal de vida. Estava vibrando ainda quando ouvi, logo atrás de mim, palmas compassadas: Clap, clap, clap...

- Meus parabéns! Terminou? Podemos dormir agora?

Lá em nossa cama, cruzando os braços sobre o peito, estava minha amada.

- Era um pernilongo. - Argumentei.

- Eu percebi. Principalmente quando acendeu a luz. Foi inevitável te ver pegar essa raquete repelente Como o Rafael Nadal e começar a pular de um lado para o outro, feito um maluco. Agora, venha se deitar meu campeão, você o derrotou.
Meio sem graça, guardei a raquete inseticida e voltei para cama.

Bem, pelo menos venci, pensei eu.

Mas foi só apagar a luz e a vingança da família do barulhento inseto, começou.

- De novo, não!! - Ela exclamou.




terça-feira, 30 de junho de 2020

Injuriado



Tô injuriado hoje e f....
As vezes, e eu escrevi "as vezes", fico assim. Na verdade, não sei se são por minhas razões ou meus desacertos. Percebi que mesmo que esteja certo, já tô errado. Injuriado mesmo.
É claro que poderia escrever tudo aqui mesmo, mas de nada adiantaria.
Como serão poucos que lerão e ainda assim não entenderiam bulhufas, até poderia tentar, mas deixamos de história.
Sai de casa irritado e nem fechei o portão. Problemas com o trabalho, não fui promovido novamente, Os meus cachorros que destruíram meu lazer e derrubaram meus vasos de pimentas. A mulher começou o dia pegando no pé, compra isso, paga aquilo, Filhos brigando entre si, nunca se entendem. O meu carro, ferrou o motor. Meus irmãos, se afastando um do outro por bobeiras.

E por que não fechei o portão?

Porque cheguei até ele para pensar no que fazer, achar uma saída e me chega um rapaz, com um papel a me entregar. "Sua conta de energia, senhor", o rapaz me entregou sorridente e foi como se dissesse: "Não vai conseguir pagar mesmo". O pior é que ele tinha razão.
Cheguei no bar do Thomé.
- Me veja uma cerveja bem gelada, Thomé.

- O freezer pifou de manhã, estou sem nada gelado.

- Então me dê uma cachaça, então!

Talvez assim poderia relaxar um pouco e deixar de pensar naquilo tudo, mas percebi que esqueci a carteira em casa e paguei um mico. Ainda bem que Thomé que quebrou meu galho e colocou o gasto na minha conta.

Conta aliás, que nem tinha.


quarta-feira, 24 de junho de 2020

Caipira ciumento



Se tem uma festa que adoro no ano é a festa Juninas.

Ela me encanta com tantas coisas e me alegra tanto que.... Até me lembro...

Na empresa ia acontecer uma arraiá daqueles. Ia ter tudo que uma festa junina merece.

Quando chegamos tivemos uma recepção e tanto, que nos recepcionou, foi nada mais nada menos do que uma vaca. Isso mesmo, muuuuuuu!

É claro, que era um ator fantasiado do ruminante, mas estava hilário, até começar a mugir demais perto da minha filhota e incomodá-la. Um pai caipira e matuto com eu, percebe e sabe chegar resolvendo essas coisas. Fui me aproximando devagar do leitoso e perguntei se ele queria conhecer o abatedouro da família.

Grosso! Disse minha esposa, mas o rapaz foi para outro lado imediatamente procurar sua baia. O que! Para cima da minha caipirinha, não.

Tinha fogueira, barracas com comidas típicas e até um touro mecânico.

Sentamos num local bem privilegiado, de frente para o palco e a pista de dança. Pista sim, ia ter quadrilha.

Gosto demais de ver a quadrilha, é incrível, mesmo sabendo as falas de cor, depois de tantos anos assistindo.

Entre os encontros e apresentações dos amigos de trabalho, fiquei sentado apreciando as guloseimas. Por duas vezes a dita vaca veio em nossa direção e de repente desviou. Acho que me reconheceu. Começou a quadrilha e estávamos nos divertindo.

Olha a chuva!! Não era da quadrilha, realmente começou a chover e muito forte.

A tenda que cobria todo o espaço ficou pequena, pois todo mundo que estava espalhado se juntou debaixo dela. Minhas filhas tinham ido nas barracas de jogos e fomos atrás para ver se estavam protegidas.

Quando voltávamos, eu e minha querida, vimos uma algazarra em nossa mesa. E olha só quem estava lá, Jack Sparrow!

Jack Sparrow, o pirata? Numa festa junina? E embarcando um converse com minhas caipirinhas?

Acelerei o passo e cheguei rapidinho, puxando minha mulher pelo braço e pronto para despachar o pirata para outra praia. Foi o cara me ver, arregalou olhos, levantou-se rapidinho e soltou um "Muuuuuuu!"

É claro que a risada foi geral. O pirata, era o cara da vaca e saiu bem no estilo do famoso pirata.

Está certo, sou ciumento sim, mas minhas caipirinhas são umas belezuras. Fazer o que?

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Pandemia, tô fora!

Essa pandemia, coronavírus ou Covid19, já deu.
No começo achava que era coisa de outro mundo, afinal estava muito longe daqui. Depois chegou.
É claro que comecei a ficar preocupado, principalmente ao ver as notícias da Europa, mas sem grande tensão. Mesmo assim liguei para os amigos de lá e estavam bem.
Aqui, ainda trabalhávamos e no máximo trocávamos informações na hora do cafezinho. em fevereiro chegou minhas tão esperadas férias. Essas, muito bem planejada para um aproveitamento total ou quase.
A ideia inicial era visitar alguns parentes, comemorar o aniversário, meu e da esposa, com almoços e passeios. e por fim ajeitar nossa casa. Nem preciso que não deu nada certo, você já sabe.
Apesar da vida nas ruas, ainda estarem acontecendo sem restrições, a preocupação com o dito vírus começava a incomodar e de repente informam: "Todo mundo tem que se confinar". Confinar? como assim? E minhas férias? Lá fomos para dentro de casa e trancamos o portão.
Do dia para noite ou do anuncio para cá, não pude voltar ao trabalho, sair para tomar uma cervejinha e nem mesmo ver meus filhos. Que coisa chata, essa tal de pandemia.
As compras, os filhotes trazem no portão e nem posso abraçá-los.
Trabalho, só de casa. Não posso mais tomar meu cafezinho com prosa. 
Falar por vídeo ajuda, mas fica a desejar quando queremos abraçar alguém.
Cervejinha, só a três. Nada de happy hour.
Sabe de uma coisa...
Covid19, corona, pandemia... Tô fora!!!
Quer dizer, tô fora não, nem isso... não posso sair.