domingo, 14 de outubro de 2012

Andarilho XIII - O fim é apenas um novo começo.

Governador Valadares
De novo na estrada, senti-me mais livre. Leve. A angústia dos dias anteriores parecia ter ficado para trás, espalhada pelo caminho como poeira velha.

Por algum tempo ainda olhava para trás com frequência, atento, como quem teme ser seguido. Mas aos poucos relaxei. Estava bem. Verdadeiramente bem.

Parei à sombra de uma árvore, à beira da estrada, para descansar e comer algo. Dingo, como sempre, ao meu lado. Terminava um enlatado quando um carro reduziu a velocidade e encostou. Guardei a comida, ajeitei as coisas e esperei.

Um rapaz desceu do carro e caminhou em minha direção. Ao volante, uma mulher permanecia, com o motor ligado. Ele se aproximou acenando.

— Boa tarde!

— Boa tarde.

— Meu amigo, Governador Valadares ainda está muito longe? Estou indo pra lá e acho que me perdi.

— Estamos em Inhapim. Está no caminho certo. Deve levar pouco mais de uma hora.

Ele sorriu, aliviado, e olhou para Dingo.

— Seu cachorro parece muito com o nosso… ele fugiu de casa há bastante tempo. Qual o nome dele?

— Dingo. Dingo Pança.

— Pra onde você está indo? Meu nome é Rodrigo.

Levantei-me e apertei sua mão. Contei que estava na estrada havia algum tempo e que também seguia para Governador Valadares. Para minha surpresa, Rodrigo ofereceu carona. Apontei para Dingo, quase pedindo permissão com o olhar.

— Sem problema — respondeu. — Ele vai com a gente.

Sorri por dentro. Na noite anterior, eu e Dingo havíamos tomado um bom banho numa pousada em Caratinga. Estávamos limpos, apresentáveis. Nem sempre isso acontece na estrada.

Aceitamos.

Dingo, que estava deitado, levantou-se de um salto. Gostou mais da proposta do que eu. Correu em direção ao carro como se tivesse entendido tudo. Enquanto eu recolhia a mochila e a rede, vi Dingo pular pela janela aberta do banco traseiro.

Gritei seu nome. Não deu tempo.

Ouvi um grito vindo de dentro do carro. Corremos até lá.

Ficamos mudos.

Dingo lambia o rosto da mulher, que o abraçava com força, rindo e chorando ao mesmo tempo.

— Tobi… meu Tobi…

Naquele instante, tudo fez sentido.

Eram velhos amigos.

Marlene tinha algo em torno de trinta anos. Bonita, mas com marcas recentes de dor no rosto, daquelas que não se escondem. Rodrigo nos apresentou. Explicou rapidamente o combinado da carona, mas ela mal ouviu. Estava inteira no cachorro.

Entramos no carro. Rodrigo dirigia, eu ao lado. Marlene seguia atrás, com Dingo — ou melhor, Tobi — no colo, trocando carinhos que pareciam não ter fim.

Contei-lhes como o encontrara, onde, em que condições. Para Marlene, porém, ele sempre foi Tobi. Corrigia-me com um sorriso emocionado. Ela contou que ele havia desaparecido de repente, sem deixar rastro. Procuraram por dias. Depois, o silêncio.

Como isso era possível?

Seguiam para o velório do avô materno de Marlene. Era por isso o semblante pesado, a dor ainda fresca. No caminho até Governador Valadares, conversamos bastante. Eu e Marlene revezávamos lembranças, histórias, risos e espantos envolvendo Tobi. Rimos muito. Nos entendemos fácil demais.

Após cerca de uma hora de estrada, entramos na cidade.

Governador Valadares.

Não sei explicar ao certo, mas gostei muito daquela carona.

Só acho… que perdi um amigo.

Ou talvez, apenas o devolvi ao lugar de onde nunca deveria ter saído.




sábado, 13 de outubro de 2012

Atenção! Todos os santos de plantão.


Nunca imaginei passar por isso, mas tenho que apelar para não mais um santo, mas para todos que estiverem de plantão nesse feriadão.
Tudo isso porque nesse domingo, começa o primeiro dos três rounds finais da saga do meu Ramalhão na complicada Série C do Campeonato Brasileiro. Complicada pela falta de competência de todos os envolvidos diretamente com essa equipe de tanta tradição e vitórias.
Depois de tanto sofrimento que passamos no no Paulista A2, no primeiro semestre, entraremos em campo pra enfrentar o Caxias-RS, que luta pelo acesso, deixando assim claro que nossa vida não será fácil.
Tínhamos tudo pra escapar desse risco de cair para a inexpressível Série D em 2013, bastava ganhar do último colocado no fim de semana passado, empatamos.
Agora as coisas complicaram de vez.
Temos apenas três jogos pela frente, todos difíceis demais. Se ganharmos todos estaremos ainda nessa Série no próximo ano, mas pelo jeito, teremos é que torcer contra os adversários direto.
Pela abela teremos a condição de saber todos os resultados dos adversários, pois todos jogarão no sábado, e então entrar em campo no Sul domingo, sabendo com que nível de desespero teremos que lidar.
Depois de tentar tudo, só me resta apelar pra outras santidades, pedindo um auxílio emergencial a esse "Glorioso" batalhador, meu querido Santo André.

Importante!!!
São Caetano e São José, podem ignorar esse apelo. 
Se não ajudam, não nos atrapalhem secando... 
Por favor.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O verão de 42


O verão de 42
Esta história realmente aconteceu. O livro retrata a história de de amor de um adolescente, apaixonado nos tempos da guerra. 
Tudo acontece numa ilha, onde ele conhece uma mulher mais velha, esposa de um militar, servindo como piloto na segunda guerra mundial. 
Ele até consegue ficar com seu amor, mas de uma forma inesperada e depois a perde pra sempre... Um ótimo romance.


Opinião:

Quando o li, conheci como "Houve uma vez um verão", uma história muito bonita, principalmente por ser verídica. O li em minha adolescência numa cama de hospital e marcou muito. Recomendo o livro primeiramente, mas postarei o filme também. Demais.