sexta-feira, 6 de setembro de 2013

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Quantos anos você tem?


Quantos anos você tem?

Era a mais velha do grupo, apesar de ser tão nova.
E então, aquele rapaz, que trocava olhares com ela, apareceu e perguntou:

— Vamos ao clube dançar, na domingueira?

A ideia veio do amigo do rapaz, que parecia ter no máximo 16 anos. Ela, já passava dos vinte, mas tinha um rostinho de 17 — como todas têm. E achou que o rapaz com quem trocava olhares tivesse seus 19, 20 anos. Ela então convidou os dois para ir com ela e sua amiga de 16. Aceitaram.

Formaram dois lindos casais de adolescentes.

No meio da conversa, o rapaz perguntou sua idade, com receio de achar que ela fosse muito velha. Então, com um sorriso, ela mentiu:

— Tenho 17.
Ficou tudo certo. Lá foram eles para o clube.

O clube não era muito longe, então aproveitaram para caminhar juntos e se conhecer melhor. Na frente, o casal de amigos; alguns metros atrás, ela e o rapaz, todos de mãos dadas. Cheios de amor pra dar.

Preferiram o caminho mais longo para ter mais tempo juntos, quem sabe assim se aproximariam mais.

— Imaginava que você fosse bem mais velha. Pensei até que não se interessaria por mim.

— Que isso! Sou apenas um ano mais velha que você. Vamos mudar de assunto?

Chegaram à quadra do clube.

O que não esperavam era encontrar uma viatura da polícia bem na entrada do salão das domingueiras.

Estavam atendendo um chamado, para verificar se menores estavam tentando entrar no baile sem um responsável maior de idade. Na hora, ela se lembrou da mentira da idade e sabia que precisaria mostrar o RG para entrar. Como os outros não sabiam que aquela noite exigia um responsável maior, insistiram para entrar. Resultado: foram barrados pelos policiais.

— Quantos anos vocês têm?

— Tenho 18, seu guarda. Meu amigo tem 15, e a namorada dele tem 16. E essa princesa aqui tem 17.
Ele apontou para ela.

— 18... Sei, sinto muito. Sem uma pessoa de maior idade responsável, vocês não podem entrar.

Ela insistiu para irem embora, com medo de que sua idade fosse descoberta, mas o rapaz insistiu:

— Poxa, seu guarda, deixa a gente entrar. Vai.

— Nada disso, vão pra casa.

— Pô, seu guarda, já sou um homem.

O policial olhou sério para o rapaz, aproximou-se mais e falou:

— Tá bom, homenzinho. Quero ver suas identidades, senão seus pais terão que vir buscá-los aqui.

Pronto. A verdade estava prestes a vir à tona. Ela arregalou os olhos.

— As identidades de todos.

O policial olhou os documentos.

— Esse aqui tem 16, mas não era 18? Eu sabia... Agora você.

O rapaz, envergonhado, afastou-se, e o amigo estendeu o documento ao policial.

— Esse tá certo, 15. Fiquem aqui do lado.

Devolvendo os documentos aos rapazes, ele chamou as meninas.

— Quantos anos você tem?

A pergunta era para a amiga.

— 16, seu guarda.

— Dê-me seu RG. Vejamos... 16. Sua mãe sabe que está aqui com esses rapazes?

— Sim, senhor.

— Sei. E você, quantos anos tem?

Ela engasgou. Tossiu. Esticou a mão para entregar o documento e disse baixinho:

— 17.

— Quantos? Fale mais alto, minha filha.

Ela olhou para os rapazes, puxou a respiração e disse:

— 17, senhor.

O policial olhou para o parceiro, voltou a olhar o documento, depois para ela e novamente para o documento, perguntando:

— Quantos anos você tem?

Ela, toda sem jeito, demorou um pouco, olhou nos olhos do policial e repetiu:

— 17.

Novamente, o policial olhou o documento e a encarou sério:

— Você pode repetir sua idade, por favor?

— 17 e já estou indo pra casa, seu guarda.

Ele sorriu, olhou para o rapaz, entendeu a situação e devolveu o documento a ela. Mandou-os para casa, mas não deixou por menos:

— Não quero ver vocês, crianças, fora de casa essa hora, hein? Vão embora.

Alguém acha que ela olhou para trás, para ver o riso dos policiais ou a cara de perdido dos rapazes?
Arrastando sua amiga, que gargalhava sem parar, deixou os rapazes ali, sem entender nada.

Pois é...
As coisas aconteceram mais ou menos assim.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sofia



Não há como não permitir o atrevimento de minha mão
Em insistir escrever palavras que teimam em me entregar
Peço-lhe silêncio, que pare, peço-lhe cumplicidade então
Mais ela continua, desliza no papel rabiscando a me denunciar.

Queria acabar com as palavras, apagar o alfabeto,
Mas sei que isso não adianta e não seria correto
Como fazer, evitar que ela possa saber...
O que acontece e o quanto me ponho a perder

Sei que só palavras apenas, nada dizem.
Porém a conheço, é sábia e irá perceber,
Que nesse meu mais afoito deslize
Entregarei em suas mãos, todo o meu ser.

Tento de todas as formas e maneiras evitar,
Algo que teima e que constantemente me desafia
Um calor gostoso, até mesmo quando pronuncio...
Se nome, seu rosto,... Querida filha

Minha Sofia.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

# 179 - SunTsu

Pensamento Vivo - 179


"E como a felicidade pode se transformar na insatisfação ,assim o desespero pode sumir no despertar de uma nova primavera.Com cada dia,pode nascer um outro entendimento de nosso estado,nossos laços e objetivos".

SunTsu

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Saudades de Elis

Desculpem-me por não publicar algo novo, mas ao ouvir a pimentinha cantando no meu ouvido, "Como nossos pais", pela milionésima vez, bateu uma saudade imensa... Acho que não tem sandice maior do que sentir saudade daqueles que estão sempre ao nosso lado...
Saudades de Elis...


Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver
As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e, depois, não há nada que os degele
Se a neve, cobrindo a pele, vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer, senão chorar sob o cobertor
As aparências enganam, aos que gelam e aos que inflamam
Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões
Os corações cortam lenha e, depois, se preparam pra outro inverno
Mas o verão que os unira, ainda, vive e transpira ali
Nos corpos juntos na lareira, na reticente primavera
No insistente perfume de alguma coisa chamada amor.