segunda-feira, 4 de novembro de 2013

domingo, 3 de novembro de 2013

Uma noite de Natal - Parte I

Gosto muito do Natal e, todos os anos, ele me traz surpresas.

As luzes coloridas já começam a surgir nas vitrines das lojas. É lindo ver aquele pisca-pisca, com as lampadinhas amarelas, vermelhas, azuis e verdes, acendendo e apagando. Ainda estamos no início de novembro, mas parece que todos já estão se animando com o Natal. É incrível como o espírito dessa época contagia as pessoas: elas sorriem mais, cumprimentam os outros mesmo quando estão apressadas, sem tempo para conversar.

Para mim, deveria ser apenas mais um Natal, mas, de alguma forma, sinto que este será especial. Por quê? Não sei... Só sinto isso.

No ano passado, passei o Natal com a turma da rodoviária. Pessoas como eu, que não têm para onde ir ou com quem passar a noite. Uns nos chamam de andarilhos, outros, infelizmente, de vagabundos. Mas ninguém sabe nada sobre nós. Apenas nos veem caminhando de um lado para o outro, sem entender o que buscamos, por que vivemos assim. Mas não importa... Sou feliz sendo um andarilho. Sorte minha estar num país tropical, onde o inverno não é tão cruel. Se estivesse na Europa ou na América do Norte, com certeza estaria congelado ou gripado por conta da friagem.

No ano passado, ganhamos algumas coisas deliciosas para comer na noite de Natal. Estávamos em sete pessoas e não nos conhecíamos. Foram aparecendo aos poucos no estacionamento da rodoviária. Um aqui, outro ali, sem ter combinado nada. Desculpe se não me lembro de todos os nomes, mas um dos que mais marcou foi o Leon. Ele apareceu logo depois de mim. Estávamos apenas eu e o Chico, conversando, quando ele chegou.

— Boa noite! Nada de choramingos, Papai Noel chegou e trouxe presentes! — disse Leon, mostrando uma pequena caixa de Natal que havia ganhado de uma senhora da Assistência Social.

— Vamos preparar nossa ceia, já são nove horas! — ele completou, com um sorriso no rosto.

Aquele homem, estranho, de barba espessa e um tanto gordinho, logo nos contagiou com seu entusiasmo. Nos apresentamos e começamos a conversar sobre como faríamos nossa ceia. Chico logo se ofereceu para arrumar um lugar onde pudéssemos comer. Sugeriu a mureta que dividia o estacionamento da rodoviária, que tinha a altura de uma mesa. Não parou por aí: disse que sabia onde conseguiria uma toalha bonita, caso não nos importássemos de ter mais uma convidada. Claro que aceitamos, mas percebemos a cara de preocupação de Chico. Ele não saiu do lugar, olhando para suas coisas e depois para nós, talvez pensando: "Eles vão roubar tudo". Leon percebeu imediatamente e disse:

— Vá tranquilo, meu amigo. É Natal. Ninguém vai mexer nas suas coisas, eu prometo.

E lá foi o desconfiado Chico, caminhando, olhando para trás a cada passo.

Eu, por minha vez, peguei o pouco de comida que tinha e juntei com o que Leon trouxe. Ele avaliou a situação com um olhar atento.

— Hum... Precisamos de uma champanhe e um bolo de nozes. Precisamos providenciar isso.

Não sei bem o que ele quis dizer com isso, mas, como sempre, concordei. E as surpresas daquela noite estavam apenas começando.

Logo Chico voltou, acompanhado por sua convidada. Seu nome era Airam. Mas o que era aquilo que ela trazia apertado junto ao peito?...

 


Laika, a cãomosnautra

EU TAMBÉM PROTESTO!

Num momento quando se  discute sobre o uso de cães e animais em experiências, quero lembrá-los de Laika. A primeira cãomosnautra do mundo, se é que existe algo assim.
A belezinha da Laika era uma cadelinha soviética que viu a coisa ficar russa pra ela quando decidiu enviar pela primeira vez, um ser vivo ao espaço. Para orbitar a terra.
Não gastaram milhões na preparação dela, como fizeram com o representante brasileiro quando este também foi ao espaço. Não a prepararam pra nada, apenas a colocaram na nave e a dispararam para o espaço e assim foi que a pequena Laika foi enviada para o espaço... Literalmente.
Isso aconteceu em 1957. Ela foi levada pela nave Sputinik 2 a segunda nave a orbitar nosso planeta.
A coitadinha deve ter sofrido muito até morrer e segundo os sábios e torturadores cientistas, ela deve ter morrido entre seis e sete horas depois do lançamento. Os gênios acreditam que Laika morreu provavelmente pelo estresse do lançamento ou ainda por um superaquecimento.
Ainda saíram com essa: que a experiência demonstrou ser possível para um animal suportar as condições de microgravidade e abriu caminho assim para a participação humana em voos espaciais.
Vai vendo...
Muito "legal" isso dos russos né, eles até comemoraram e acharam bonito.
Que cachorrada fizeram com a Laika.
Pobrezinha...
Se fosse aqui, as coisas ficariam russas pra esses cientistas.
AH, se ficava.

sábado, 2 de novembro de 2013

O churrasquinho de anversário

Saio de casa às seis e vinte. Pego o ônibus na porta de casa, enquanto o Twoo uiva, com as patinhas sobre o portão, inconformado ao me ver saindo e iniciando mais uma maratona.

Ele sempre era questionado por morar vizinho ao cemitério da cidade e não ter amigos.
Sua casa dividia o muro com os fundos do cemitério, mas sempre que perguntavam, ele dizia:

— Não tenho mais medo, não. Já conheço todos por ali.

Certamente, seus colegas de trabalho achavam que ele falava assim só para desconversar. Muitas brincadeiras surgiram por causa disso:

— Ah! Ele fala pouco porque acha que a gente vai zoar do medo dele.
— Trabalha na primeira turma pra não ter que passar à noite pelo portão preto...

O "portão preto" era a entrada principal do cemitério. Falavam assim dele, mas o curioso era que, sempre que ele convidava alguém pra conhecer sua casa e tomar uma cervejinha no fim da tarde, ninguém aparecia. Todos tinham boas desculpas.

Afinal, quem é que tinha medo da noite quando se tratava de visitá-lo? Essa era a questão que os amigos discutiam no almoço.

Chegou o dia do aniversário dele. Um sábado. Feriado. Dia de Finados.

Ele convidou os colegas para um churrasquinho.

— Ah... Sinto muito, mas tenho que cuidar da minha sogrinha amada... Coitadinha.
— Não vai dar, virei vegetariano... Desde quando? Ontem...

E assim foram as desculpas, uma atrás da outra. Só um deles topou: o conhecido valentão do setor, intimado pelos colegas a manter sua fama.

— Ir lá? Do lado de um cemitério? Um churrasco à noite?...

As risadas rolaram soltas, e ele acabou aceitando, pressionado.

Chegou o grande dia. Lá foi o valentão.

Ao chegar, se surpreendeu: havia pelo menos quinze pessoas na casa. Animado, pegou uma cerveja e foi cumprimentando o pessoal até chegar à churrasqueira, onde o amigo assava uns espetos.

Achou estranho: havia no máximo uns dez espetos. Pouco pra tanta gente. Mesmo assim, pegou um e começou a comer.

— E aí, meu amigo, festa animada. Quanta gente!
— São todos amigos, fique à vontade...

O valentão achava os convidados muito sérios. Tentou puxar papo com um casal:

— Boa noite, são amigos do meu colega?
— Boa noite. Somos, sim.
— Conhecidos da família?
— Não, o conhecemos aqui mesmo.

O casal se afastou e ele ficou sozinho de novo. Voltou pra perto da churrasqueira:

— Gente boa aquele casal.
Mas, ao olhar, não estavam mais ali.

— Estranho. Estavam aqui agora mesmo.
— Não estranhe. Eles são assim mesmo. Mas sei quem são. Vi você conversando com eles. Bem animados.
— Eram... Sim. E aquele rapaz ali? Muito engraçado. Ué, cadê ele?
— Com certeza já se foi. Fique tranquilo, são assim mesmo.
— Cara, não acha que é pouca carne pra tanta gente?
— Não. Esses espetos são pra mim e pra você. Eles não comem.

O valentão parou de mastigar e olhou sério para o colega, que seguia tranquilo virando os espetos.

— Como assim, não comem?
— Antigamente comiam. Agora não precisam mais.

Nesse instante, um dos convidados se aproximou:

— Obrigado, meu bom amigo. Foi ótimo rever os colegas. Mas preciso ir.

Virou-se, foi em direção ao muro do cemitério... e desapareceu.

O valentão suava frio, olhos arregalados. Outro convidado chegou:

— Tô indo, amigo. Tô literalmente morto de cansaço.

Foi o bastante. O valentão largou tudo e saiu correndo sem olhar pra trás.

O convidado olhou a cena, balançou a cabeça:

— Que cara doido... Parece que viu um fantasma.

E então sumiu no ar, deixando apenas um riso ecoando.

O colega, tranquilo, virando os espetos, resmungou:

— Esse pessoal do trabalho é estranho mesmo...

"Dizes com quem tu andas e te direi quem eras"... Conheces bem seus amigos?
Não???
Rsrsrsrs... Vai um espetinho?


sexta-feira, 1 de novembro de 2013