sábado, 10 de agosto de 2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Tá sem água, mãe!

Quando penso que estou só no mundo, que já vi e ouvi de tudo... aparece cada coisa.

A gente casa inexperiente mesmo, achando que sabe muito. Com o tempo é que vai aprendendo: acerta aqui, erra ali, e vai vivendo. Lembro que nas minhas primeiras compras do mês, torrava uma grana com bobagens e sempre esquecia o básico.

Num churrasco na casa de uma amiga de trabalho, aprendi mais uma dessas lições de recém-casados — e vou dividir com vocês.

Estávamos cercados de colegas da empresa, umas quinze pessoas de vários setores. A conversa descambou para casamento, dividir espaço, rotina, responsabilidades. Tudo aquilo que, no papel, é a dois.

Como o mais experiente do grupo, comecei a contar meus tropeços e acertos: arroz queimado, feijão duro, confundir sal com açúcar... Coisas normais de quem está começando.

Tudo ia bem até que uma colega, super inteligente e considerada por todos, resolveu compartilhar sua história.

Disse que, quando casou, ganhou uma máquina de lavar super moderna. Tão moderna que, segundo ela, só faltava falar.

No primeiro dia de uso, toda empolgada, colocou a roupa e... nada. A máquina não ligava.

Tirou tudo, verificou a tomada, mexeu aqui, mexeu ali. Nada.

Tentou procurar o manual, claro. Mas já tinha ido embora junto com a embalagem, para a reciclagem.

Resolveu então ligar para a tia do marido — afinal, a máquina era presente dela, devia saber como usar. Ligou, mandou mensagem... e nada. A tia não atendia.

Com tanta roupa para lavar, já estava irritada. E, no pensamento, a culpa era da tia: "Além de dar uma máquina com defeito, ainda some."

Última opção: ligar pra mãe.

Mas aí bate aquele orgulho: recém-casada, mulher moderna e independente... pedir ajuda pra mãe logo nos primeiros dias? Era dar o braço a torcer.

Mas não teve jeito. Ligou.

Explicou tudo. Antes de qualquer coisa, teve que ouvir os clássicos “eu te disse”, “não é assim que se faz”, e por aí vai. Depois, a mãe pediu calma e foi guiando passo a passo:

— Ligou na tomada?

— Sim, mãe.

— Tem energia na casa?

— Sim, mãe.

— Verificou se a máquina liga?

— Sim, mãe.

— Colocou a roupa?

— Sim, mãe.

— Separou as brancas das coloridas?

— Sim, mãe.

— Colocou sabão?

— Sim, mãe.

— E amaciante?

— Sim, mãe.

— Encheu a máquina de água?

— Água? Tem que por água? Ela não lava sozinha? Tá sem água, mãe!

Silêncio.

— Filha, deixa tudo como está. Não mexe em nada. Tô indo praí agora.

Quando ela contou essa história, não deu pra segurar a risada. Ela não sabia, acreditem.

Fiquei imaginando como foi o primeiro jantar... coitado do marido!

Cada coisa que acontece... depois sou eu o atrapalhado.

Ainda bem que não estou só.



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Filho de peixe... Peixinho é.


Perdi meu pai quando tinha apenas quatro anos. Apesar de tão pequeno, acredito que puxei muitas coisas dele. Não que eu queira justificar nada, mas acho que ele era assim como eu... digamos... um tanto atrapalhado.

Minha mãe sempre contou que, quando meu irmão mais velho nasceu, papai estava decidido quanto ao nome: seria Josemar.

Não me lembro dela comentar que houve qualquer discussão. Parece que papai queria esse nome e pronto. Nem ela sabia o motivo. Simplesmente Josemar.

Quando meu primeiro filho nasceu, nem tive chance de opinar. A mãe decidiu o nome e pronto. Como eu gostei, ficou assim mesmo.

No nascimento do segundo filho — ou melhor, filhos, já que vieram gêmeos, um casal — também não escolhi. Foi quase um plebiscito de três votos: mãe, pai e o irmão mais velho. Democracia parcial. Perdi de novo.

Mas voltando ao meu pai...

Ele saiu de casa decidido. Depois de garantir que minha mãe e o recém-nascido estavam bem em casa, foi ao cartório concretizar sua vontade. Daria ao seu primeiro filhote o nome de Josemar. Diz minha mãe que ele já chamava o menino assim desde a gravidez.

Chegando ao pequeno cartório da cidade, havia três pessoas à sua frente. Em estado de felicidade plena, papai nem se importou. Ficou ali, trocando sorrisos com os outros pais, todos prontos para pronunciar, oficialmente, o nome dos filhos.

Chamaram o primeiro.

O homem se aproximou do balcão com firmeza. Quando perguntado pelo nome da criança, disse com orgulho:

Carlos.

Os demais pais sorriram e comentaram: bonito nome.

Agora era a vez do segundo.

— Uma menina — disse, antes de declarar:

Emília.

Mais sorrisos e cabeças concordando.

Restava apenas um pai à frente. Papai já sentia a emoção de registrar seu filho como Josemar. Estava quase lá.

O atendente chamou o terceiro.

O homem levantou-se, estufou o peito, ajeitou as calças, foi até o balcão e disse:

— Meu filho vai se chamar... Josemar.

Ferrou...

Aí chamaram meu pai.

Homem simples, deve ter entrado em pânico. Todo mundo olhando, esperando o nome do menino... e ele, sem graça de repetir o mesmo nome do pai anterior.

— Qual o nome do seu filho, senhor?

— Meu filho? Hã... o nome dele?

— Sim, meu senhor.

— É... Lauro.

E foi assim que mano véio virou Lauro.

Fico imaginando a cena. Papai chegando em casa, pensativo, entrando de cabeça baixa. Todos reunidos, sorrindo para o pequeno Josemar — que naquela altura já era Lauro. Como explicar aquilo?

Mas não parou por aí.

A história quase se repetiu comigo.

Meu nome já estava decidido muito antes do nascimento: seria Eudemir.

Mas, no caminho até o cartório, talvez inspirado pelo jogador Divino, da famosa Academia Palmeirense, papai decidiu mudar. Na hora do registro, saiu:

Ademir.

Nem minha mãe sabe ao certo o que aconteceu. Mas eu imagino a mesma cena: ele parado na porta, coçando a cabeça, todo mundo já desconfiado de que algo tinha dado errado... e ele tentando explicar por que trocara, outra vez, o nome do filho.

Somos predestinados.



terça-feira, 6 de agosto de 2013

Voz de comando

É claro que esse não é o Twoo,
mas a carinha foi a mesma

Dois pontos importantes no texto de hoje.

O primeiro: o sumiço do Traíra. Lembram-se dele? Pois é... desapareceu. Mas como o conheço bem, não baixo a guarda. Estou sempre atento, com o canto do olho afiado, esperando o momento em que ele resolver aparecer.

Durante todo o mês de julho desfilei com o Twoo pelo bairro. Nada. Nenhum sinal do Traíra. Escafedeu-se.

O segundo ponto é a educação de Twoo.

Complicado, viu? Ainda mais com alguém do lado fazendo todas as vontades dele e contrariando qualquer pedido meu de correção. Vai vendo...

Mesmo assim, o danadinho está progredindo. Come menos chinelos, arrasta menos roupas e já faz suas necessidades fora de casa — salvo quando está tão empolgado com as brincadeiras que escapa sem querer. (Eu acho.)

Depois de muito treinamento, consegui um feito: ele me permite colocar sua comida sem avançar no pote, sem tomar o medidor de ração da minha mão e, principalmente, sem se enrolar nas minhas pernas como se fosse uma corda viva prestes a me derrubar.

Agora ele senta e espera. Mando um "FICA", e ele congela. Só vai quando ouve "COME". Uma belezinha.

Todo orgulhoso, decidi dividir o feito com a Jackie.

Ela me ligou, e eu logo pedi que desse o comando de comer pelo telefone, assim que eu colocasse a ração. Expliquei tudo direitinho e, mesmo reclamando da minha demora em deixar o bichinho comer, ela disse que entendeu.

Coloquei o celular no viva-voz e fui posicionar o pote.

— FICA! — ordenei.

E o Twoo? Parou na hora, sentado, olhos fixos na comida. Um anjinho.

— Fala o comando agora! — pedi à Jackie.

— Ah, eu acho que você está judiando do bichinho. Ele tá com fome!

— Diz o comando pra ele comer.

— Que comando?

— "COME"!

Pronto. O Twoo ouviu a palavra mágica e partiu com tudo. Tive que afastá-lo e repetir todo o ritual.

Expliquei novamente à Jackie.

Aproximei o celular e disse:

— Agora!

— Twoo, meu lindinho, vá lá comer sua comidinha...

— Não! É pra dizer "COME"!

Lá foi o danado de novo, com fome e esperança.

Tentei manter a paciência. De um lado, o Twoo faminto. Do outro, a Jackie cheia de carinho, mas sem entender a proposta.

Mais uma tentativa:

— Agora, vai.

— Twoo, meu bebê de dois meses, vá comer, vá...

Desisto.

Dei o comando eu mesmo. "COME!"

E ele foi, feliz da vida.

Às vezes é melhor não inventar.