sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O Natal de Sofia

Ela era tão pequenina, que até dava medo de abraçar.

Tinha os cabelinhos castanhos com cachinhos e olhinhos verdes. Entrou na sala e ficou paralisada ao ver num canto, toda iluminada, a árvore de Natal.

Trazia na mão uma bonequinha de pano com um vestidinho verde, como o seu personagem favorito da televisão. Na boca, a pequena chupeta com motivos de pequeninos ursinhos azuis. Na outra mão, arrastava seu cheiroso travesseirinho, também de ursinhos, só que amarelos e com seu nome bordado em rosa. Presente da vovó.

Não havíamos acordado ainda, quando ela se levantou e silenciosamente foi à sala. Não sei quanto tempo ficou ali parada com os olhinhos fixos nas luzes e bolas da árvore de Natal. Quando entrei na sala e a vi de pijaminha vermelho e com a bonequinha dependurada na mão, foi à imagem mais linda que já tive de Natal.

Como era bonita e delicada, a minha filhinha.

Havíamos montado a árvore na noite anterior, enquanto Sofia dormia. Montamos em silêncio e colocamos os presentes ao seu pé. Neste ano, a montamos com todos os enfeites e adornos possíveis, todos muito atrativos, nossa árvore parecia enorme no final, então, cansados fomos dormir.

Fiquei parado ali, quieto, por alguns minutos observando-a sem que ela me notasse, então sai bem discretamente e fui chamar sua mãe.

Retornamos à sala em silêncio e lá estava Sofia, ainda parada observando todos os detalhes da árvore. Às vezes balançava a cabecinha, como que acompanhando o piscar das luzes, em outras agachava para tentar ver algum detalhe específico.

Muito devagar, silenciosamente fomos até o sofá, sentamos e ficamos a olhar seu encantamento com toda aquela novidade na sala.

Sofia foi agachando e aproximando da árvore, olhou os presentes e ignorou. Afastou-os para o lado, começou a entrar debaixo da árvore, sentando ao seu pé e olhando para o alto. Ainda não nos percebera.

Tirou a chupeta e colocou-a em um galho, como se fosse uma bola colorida. Sua pequena bonequinha também virou um pingente, em outro galho. Ajeitou seu travesseirinho ao pé da árvore, entre os presentes e deitou sobre ele. Dormiu.

Fiz movimento de levantar, mas minha querida segurou-me pelo braço, fez sinal para eu esperasse e saiu em seguida em direção ao nosso quarto.

Estava ainda admirando Sofia, ali dormindo, com seu respirar compassado, quando ela voltou com nossos travesseiros.... Entendi de imediato.

Com muito cuidado nos deitamos com Sofia no meio, na mesma posição entre os presentes e com a cabeça debaixo da árvore. Era realmente uma visão linda. Sofia sabia das coisas. Dormimos abraçados enquanto acariciávamos seu cabelinho.

Quando acordei no outro dia, lá estava eu... Só.

Olhei procurando por elas, mas não estavam ali... Ainda não. Teria que esperar por mais um ano até acontecer de verdade.... Foi um lindo sonho de Natal.

Foi assim que passei meu primeiro Natal com Sofia e sua mãe.

Já fiz minha cartinha com esse pedido ao bom velhinho. Agora...

Espero ansiosamente o próximo Natal, para quem sabe, realizar o sonho que tive.

Afinal, os pedidos de Natal sempre acontecem.


*Conto premiado no concurso de Antologia “Magia do Natal”, do site WebTV em 2020

 

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