Tìmido, até na hora da foto se esconde |
Não vou
afirmar que estou com saudades dele, mas fico chateado de saber que ele sumiu.
De quem estou falando? Do Traíra.
Aquele cachorro de latido rouco, por mais que tentasse me pegar
distraído, hoje me faz falta. Sempre que passo no local, onde ele fingia estar
distraído para depois tentar pegar meu calcanhar, ainda o procuro. Apesar de
ficar atento, sei que realmente o Traíra sumiu.
Meu bairro por ser semi rural, afastado do centro da cidade,
é um local muito procurado para abandono de cachorros. A cada dia, aparecem
novos animais que ficam próximos à praça da igreja, provavelmente em busca de
alimentos e, aos poucos vão sumindo. Geralmente são cachorros velhos ou
doentes.
Que tipo de dono tem coragem de largá-los assim?
Melhor nem conhece-los. Se fazem isso com um companheiro, não devem ser lá grande coisa.
Assim que mudei para esse bairro, fiz contato com a
"Menina", uma cadelinha amarela, muito magra, que ficava ao meu lado
todas as manhãs até eu pegar o ônibus da empresa. Não resisti e comecei a
trazer a ela, todos os dias, bolachas, pedaços de bolo e outras coisas. Acho
que o carinho foi recíproco, pois mesmo quando eu me esquecia de trazer algo,
ela ficava aos meus pés esperando o ônibus chegar.
Da mesma forma que o Traíra, a Menina também sumiu.
Próximo a minha casa, cerca de três quadras da praça da igreja,
um vizinho, também encantado com outro cachorrinho abandonado, todos os dias
deixa um punhado de ração. Esse é o "Tímido".
Tímido, é um cachorro de pequeno porte, caramelo e preto, que ao
ver as pessoas chegando perto, abaixa a cabeça e sai de fininho. Não sei se é
por medo, mas sempre age assim, nem late.
Além dele, na rua da casa de minha mãe, logo na primeira casa da
rua, um morador arrumou uma caixa de papelão e a deixa ali em seu portão todos
os dias no final da tarde. Coloca uma latinha de ração e outra com água. Essa a nomeei de "Me
deixa". Ela é uma cadelinha branca com manchas pretas. Todas as manhãs
quando saiu para o trabalho e resolvo passar na casa de mamãe, para tomar um
café, a encontro ali, na caixa de papelão, deitada e quieta. Aproximo para
vê-la e ela rosna pra mim. Daí o seu nome... “Me deixa”
O legal dos moradores do bairro é isso, indiretamente sempre tem
alguém adotando ou cuidando desses animais, com muito mais carinho que os prováveis "maus donos" lhe deram.
Hoje, no meu caminho até o encontro do ônibus, em uma calçada amarrada a uma árvore,mais uma surpresa. Por causa do frio, outro morador do bairro deixou ali,
encostado a árvore em frente sua casa, uma casinha feita de madeira, para
abrigar mais um desses amigos canino.
Ainda bem, que aqui tem gente assim, que são amigos de
cachorro.
É bem melhor ter um cachorro amigo, do que um amigo cachorro. Como
esses malvados que os abandonaram na rua.
Que cachorrada.
Que cachorrada.
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