terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uai... Uai é uai sô.

Como bom filho de mineiros, ela de Guaxupé e ele Monte Azul, apreciador inveterado de tutu de feijão com couve e de um porquinho à pururuca, preciso me manter informado das coisas da minha raiz.
Então pensei... Uai  sô, o que significa essa expressão, uai?
Sempre devemos procurar pessoas mais informadas, certo?Nem sempre.
Alguns amigos quando lhes perguntei não perderam a oportunidade e vieram-me com piadinhas infames. "Uai é uma palavra derivada dos 5W em inglês, muito usada em planejamento: What, Who, When, Where e Uai. Sorte deles serem amigos.
Mas não estou sozinho nessa curiosidade, até o falecido presidente JK, pediu para que fosse pesquisado seu significado.
O 'Uai" em questão, é uma expressão que foi criada e é muito usada pelos mineiros. Tem sua origem,segundo historiadores, nos tempos da Inconfidência Mineira.
Naquela época, os inconfidentes mineiros, eram considerados muito subversivos pela Corte Portuguesa e para se comunicarem, sem serem descobertos pela polícia da Coroa, criavam códigos entre eles e assim passavam informações sem serem descobertos.
A expressão funcionava como uma senha. Como membros e participantes da conspiração se encontravam em porões, criaram essa senha para autorizar a entrada de pessoas que realmente faziam parte do movimento, assim evitando a infiltração de um espião da Coroa.
Os inconfidentes e simpatizantes ativos que chegavam até o local dos encontros, davam três batidas na porta, característica da Maçonaria que teve participação atuante no movimento, enquanto todos ficavam em alerta e preparados no porão, então alguém perguntava: Quem é?
A resposta não podia ser outra a não ser "UAI", que significava "União, Amor e Independência". Simples e criativo, não é? 
Durante todo o período que durou o movimento dos inconfidentes, usaram tal senha e com o término da revolta, que todos sabem não terminou nada bem para os inconfidentes, restou aos mineiros essa herança e com o tempo ficou como uma marca típica dos mineiros.
Mineiro é gente boa, até nisso eram precavidos e discretos.
Portanto, quando alguém bater na sua porta e você perguntar quem é? Se a resposta for "Uai, sou eu.", tenha certeza... Não será um inconfidente, mas com certeza a visita é mineira.
Pode servir o queijo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

domingo, 25 de novembro de 2012

Andarilho XVIII - Minha Dulcinéia


Passei duas noites horríveis. Sonhos quebrados, inquietos, nos quais Jorge sempre surgia sorrindo, acenando para mim como quem se despede sabendo de algo que eu não sabia. Acordei sobressaltado duas vezes, com Marlene e Rodrigo ao meu lado, tentando me acalmar. Pelo visto, eu falava alto enquanto dormia. Assustei-os.

Decidi não adiar mais. Precisava cumprir o pedido de Jorge e me livrar, de uma vez por todas, daquela situação.

Distribuí todo o dinheiro em depósitos nas quatro contas que ele indicara — contas que, eu acreditava, pertenciam à sua família. Jorge havia separado uma quinta parte para mim, mas recusei. Redistribuí também esse valor entre as mesmas contas. Aquilo não me pertencia.

Com a ajuda de Marlene e Rodrigo, em dois dias consegui encerrar aquela história confusa e perigosa. Precisava estar livre para seguir meu caminho, ainda que não soubesse exatamente para onde.

Fiquei hospedado na casa deles por quatro dias. Dias tranquilos, reconfortantes. Conheci-os melhor, especialmente Marlene. Mas chegou a hora de partir.

Levantei-me cedo naquele sábado de céu cinzento. Depois de um bom banho e algo leve para comer, estava pronto. Rodrigo insistiu para que eu ficasse mais um tempo. Ofereceu-me trabalho em sua agência de viagens — precisava de alguém para ajudá-lo. Confesso que fiquei tentado. Estava me sentindo bem ali. Talvez até demais.

Talvez esse fosse justamente o motivo da partida.

Pedi a Rodrigo uma carona até a rodovia. Pedi também que não avisasse Marlene — apenas depois que eu já tivesse ido. Nem de Dingo Pança quis me despedir. Ele não estava por perto mesmo. Devia dormir em algum canto da casa.

A garoa começava a cair, fina e insistente, quando entramos no acesso à rodovia. Antes de alcançá-la, Rodrigo parou o carro e perguntou, pela última vez, se era realmente aquilo que eu queria. Disse que talvez fosse melhor pensar por mais alguns dias. Que ao menos eu deveria me despedir de Marlene e de Tobi… de Dingo.

Não. Eu sabia que já havia trazido confusão demais para aqueles irmãos. E talvez estivesse enganado quanto ao que vinha me inquietando nos últimos dias. Precisava partir.

Rodrigo encostou o carro.

— A rodovia fica depois daquela curva. Não posso ir além, não há retorno. Ainda dá tempo de voltar… mas me permita dizer algo. Para um Quixote em busca de sua Dulcineia, você cumpre muito bem o papel. Como ele, não enxerga o que está bem à sua frente. Não são moinhos nem bois os seus inimigos. Não vista a armadura. Não corra.

Sorri, balançando a cabeça em negativa. Abri a porta, agradeci e desci.

— Boa sorte para vocês, Quixote.

Rodrigo retornou pela estrada de terra. Fiquei ali, parado, tentando entender o que ele quisera dizer.

Ajustei a mochila nas costas — a rede de Jorge bem presa — e segui em direção à curva. Havíamos rodado muito para chegar até ali. Talvez houvesse outro caminho mais curto. Mas nada disse. Ele conhecia a região.

Ao contornar a curva, dei de cara com uma cena inesperada.

Sentados na mureta de acesso à rodovia, estavam Marlene e Dingo, à minha espera.

Olhei para trás. Rodrigo já havia desaparecido na estrada de terra.

Ao me aproximar, Marlene se levantou, veio em minha direção, estendeu-me a mão e disse:

— Está atrasado, Quixote. Eu e Tobi… digo, Dingo Pança, já estávamos achando que você tinha desistido. Vamos. A estrada é longa, e a garoa está chegando.

Ainda meio estático, deixei-me conduzir por sua mão suave. Sorri.

O que dizer?

Ela tinha razão.

A garoa chegou.


Esse cavalo, é pônei.

É mais ou menos por ai...
Acalme-se adoradores de equinos, não estou desmerecendo esses belíssimos  e fortes animais, até porque os pôneis também são muito bonitos e dignos de confiança.
O cavalo em questão é o vermelhinho da Fórmula 1.
Sempre achei que Schumacker, apelidado de Dick Vigarista da F1, fosse realmente o grande vilão da recente história dessa marca, onde fazia de tudo pra se dar bem. Até deixar o carro pelo caminho pra prejudicar quem vinha atrás. Mas no último grande premio ficou bem claro pra todo mundo, porque o casamento de Schumy e Ferrari deu tão certo.
Massa depois da "molada" que recebeu de Barrichello, ficou muito a desejar nas pistas, mas vem crescendo e devagar retomando seu lugar, porém parece que sua equipe não tá nem ai para sua recuperação.
No grande prêmio dos EUA Massa foi muito melhor que Don Alonso, aliás como em toda a segunda parte do campeonato, mas a Ferrari pensando em seu precioso primeiro piloto, lembrou dos tempos de Schumy e aprontou das suas.
É sabido por todos, os mandos via rádio da equipe pedindo que Massa "facilitasse" algumas ultrapassagens de Alonso ou ainda que não o forçasse, apesar de ter uma carro em melhores condições. Tudo isso como dizem faz parte da estratégica da equipe e já acontecia nos tempos de Rubinho. O fim da picada, que indignou muita gente, foi essa última da equipe.
Como Massa largou na frente de Alonso e no lado limpo da pista com mais aderência, a equipe achou melhor quebrar o lacre do câmbio de Massa, fazendo com que ele perdesse cinco posições no grid de largada. Claro que o beneficiado nessa história foi Alonso, que pulou um posição pra frente e ficou no lado limpo. Com isso Alonso conseguiu se dar bem e adiou o título de Vettel para o Brasil. Vergonha.
Agora chegamos ao Brasil. Massa novamente foi melhor que Alonso nos treinos e larga na frente. Não quero acreditar que a Ferrari fará mais uma das suas para favorecer Alonso e assim prejudicar Massa, mas como diz o título desse post, esse corcel que era lindo e vistoso, parece não ser mais assim tão expressivo e como um pônei, em altura é claro, joga baixo.
Difícil continuar a prestigiar a F1 assim.

sábado, 24 de novembro de 2012

Relaxando com a Tina

Fim de semana. Só tranquilidade...

Assistindo a um programa na TV sobre meditação, relaxamento e yoga, resolvi tentar um dos métodos ensinados.
Como ando muito cansado com a alta demanda no trabalho, parecia uma boa oportunidade para relaxar.

Preparei-me e segui as instruções do professor:

"Relaxe. Fique numa posição confortável e desligue-se de tudo..."

Muito bom, pensei. Respirei fundo e me ajeitei no sofá.

Foi quando começou:
Ouvi um som forte. Era a banda Cachorro Grande — meu toque de celular.
Peguei o telefone: era da prestadora de serviços. Desliguei rapidinho.

Voltei ao exercício:

"Agora que está relaxado, mexa os dedos dos pés e das mãos para senti-los, um a um..."

Humm... perdi uma parte.
Sentei de novo, fechei os olhos e recomecei.

Mas, claro, chegou a filhota caçula.
Parou bem na frente da TV e pediu grana para ir ao cinema.
Levantei-me, peguei a carteira, perguntei quanto era, dei o dinheiro.

— E pra pipoca, pai?

Suspirei. Peguei outra nota e entreguei.
Finalmente, sentei-me novamente.

"Agora que já estão mais relaxados, vamos ao próximo exercício: coloquem os pés na tina..."

Onde?! Tina? Que Tina?
Droga... perdi outra parte. Vamos lá, foco no relaxamento.

Caracas! Chamaram no portão.
E adivinha? Ninguém atende.

Lá fui eu, ainda mexendo com os dedos das mãos e dos pés, até a janela:

— Meu filhote não tá! — gritei.

— Ô, pai... Eu tô aqui no quintal! — ele respondeu.

Incrível. Em casa, ninguém atende ao telefone ou ao portão — só eu.

Respirei fundo e tentei voltar ao exercício:

"Muito bem, agora vocês já devem estar com a tina, sentindo a água até a cintura... Vamos seguir para a 'Paz Superior'..."

Com a Tina? Água até a cintura? Caracas, desse jeito vão me afogar e eu nem percebo!
Respira... Expira... Vamos continuar.

"Agora vamos ao exercício final: a 'Paz do Espírito'. Respirem, expirem... Agora deixem a água sair..."

Fechei os olhos e tentei visualizar.
Imaginei a tal Tina comigo na piscina, de biquíni, água até a cintura.
Respirei, expirei... E, de repente, senti a água querer sair!

Abri os olhos assustado e corri para o banheiro.
Surpresa: o filhote mais velho já estava lá.

Implorei, negociei, ele saiu reclamando, e enfim consegui... Ufa.

Voltei à sala, ainda meio atordoado, tentando terminar o programa.

"Então, estão melhores com os exercícios? Ótimo. Até amanhã!"

Fiquei olhando para a TV, sem entender nada.

Foi quando outra filhota entrou e perguntou:

— Pai, você não olhou o leite?

— Leite? Que leite?

Ela olhou para a TV, viu os créditos do programa e comentou:

— Pare de assistir esses programas de meditação e relaxamento. Você já anda muito desligado.

Olhei para a tela e, então, entendi:
Mostravam uma tina de água... uma bacia!

Não era "a Tina".

Ela tem razão. Preciso me ligar mais.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

# 115 - George Washington



Pensamento Vivo - 115

Eu espero que eu sempre possua firmeza e virtude suficientes para manter o que eu considero o mais invejável de todos os títulos, o caráter de um homem honesto.”


 
George Washington

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O mundo de Sofia

O mundo de Sofia

Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo em que vivemos. Os postais foram mandados do Líbano, por um major desconhecido, para alguém chamada Hilde Knag, jovem que Sofia igualmente desconhece.
O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste fascinante romance, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países em que foi lançado. De capítulo em capítulo, de "lição" em "lição", o leitor é convidado a trilhar toda a história da filosofia ocidental - dos pré-socráticos aos pós-modernos -, ao mesmo tempo em que se vê envolvido por um intrigante thriller que toma um rumo surpreendente.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

# 114 - Irwin Shaw



Pensamento Vivo - 114


A memória é algo cheio de truques e esquecer significa, freqüentemente, o meio pelo qual a mente se defende contra dores passadas e remorsos por oportunidades perdidas. 

Irwin Shaw

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A espera de um milagre

À Espera de um MilagreA espera de um milagre
 

Titulo original: The green mile

Diretor: Frank Darabont

Gênero: Drama

Lançamento: 2000

Elenco: Tom Hanks, David Morse, Gary Sinise, Duncan




Sinopse: 
1935, no corredor da morte de uma prisão sulista. Paul Edgecomb (Tom Hanks) é o chefe de guarda da prisão, que temJohn Coffey (Michael Clarke Duncan) como um de seus prisioneiros. Aos poucos, desenvolve-se entre eles uma relação incomum, baseada na descoberta de que o prisioneiro possui um dom mágico que é, ao mesmo tempo, misterioso e milagroso.

 
Opinião: 
Um filme impressionante e muito marcante, daqueles que vale a pena ver mais de uma vez, com uma representação perfeita de Tom Hanks e Duncan.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O sabor da memória

Uma das delícias culinárias mais saborosas que já experimentei foi a comida da tia Dinha, quando passei alguns dias com ela, ainda pequeno.
Isso aconteceu há mais de quarenta anos — e até hoje guardo aquele sabor como um tesouro.

Fico pensando: para uma comida simples permanecer tão viva no subconsciente por tanto tempo, é porque era mesmo especial.
Concordam?

Quando lembro, começo a salivar.
O gostinho vem direto à boca, acompanhado pelo cheirinho bom que parece flutuar no ar.
Fecho os olhos e, pronto: lá está ela — tia Dinha, de cabelos encaracolados, branquinhos, perguntando com seu sorriso carinhoso:

— Mimiu, quer mais?

(Explicando: "Mimiu" era o diminutivo do diminutivo de "Ademirzinho". Só a tia Dinha e algumas primas me chamavam assim. Até hoje, às vezes, ainda ouço um "Miu" perdido nos reencontros familiares.)

De olhos fechados, vejo a cena como se fosse ontem.
Tia Dinha pegava meu prato de plástico — um aparte aqui: desde pequeno eu já tinha a fama de quebrar tudo. Não sei se por alma de descendência grega, mas pratos eram minha especialidade. Depois me aperfeiçoei em copos...
Mas voltando ao almoço...

Ela destampava a velha panela preta de ferro, liberando aquele vapor cheiroso de feijão bem grosso, quase cremoso.
Depois, com todo o cuidado, mergulhava a concha na panela branca esmaltada, de borda escurecida pelo tempo.
Era o arroz: amarelinho, puxando pro vermelho, feito com colorau, soltinho que só.
Ah... se os chineses e japoneses tivessem conhecido o arroz da tia Dinha, tenho certeza: não seriam tão magrinhos!

E então, o momento mais esperado: a mistura.

A mistura era o melhor da refeição — aquela parte sagrada do prato, separada para ser comida por último, com todo respeito.
Na lembrança, é uma linguicinha cortada em pedaços do tamanho do meu dedo mínimo, fritinha e sequinha, do jeito que criança adora.
Tudo isso, é claro, acompanhado de um copo de plástico cheio de "Q-suco".

Talvez eu não consiga traduzir exatamente em palavras o que a lembrança exige, mas...
Hummm... Acreditem: sinto o gosto na boca. É bom demais.

E ainda não acabava por aí: depois das minhas estripulias de criança — e olha que eu dava trabalho! — vinha o café da tarde.
Mas isso... é história para outro texto.

Eu poderia até tentar passar a receita, os segredos dessas delícias...
Mas ficaram no tempo.
Tempo onde vivi tudo isso.

O principal ingrediente, infelizmente, já não está mais aqui.

Minha tia Dinha.

 

domingo, 18 de novembro de 2012

Andarilho XVII - O último pedido


Já rodávamos havia quase duas horas, e eu segurava a caixa com firmeza, como se dela dependesse meu equilíbrio. No início, Rodrigo e Marlene ainda tentaram puxar conversa, mas minhas respostas curtas logo deixaram claro que eu não queria falar. O silêncio se instalou. Ainda assim, eu sentia, vez ou outra, o olhar atento dos dois sobre mim.

Confesso que me pegava encarando a caixa, perdido em pensamentos que eu mesmo não conseguia nomear. Não sabia exatamente o que me inquietava mais: o conteúdo desconhecido ou o peso do que tudo aquilo representava.

O bilhete deixado por Jorge também os impressionara. Talvez por isso ninguém sugerisse parar. Seguíamos adiante, como se o movimento fosse uma forma de manter o medo à distância.

Até que avistamos um restaurante à beira da estrada. A fome já não podia mais ser ignorada — e, no fundo, sabíamos que ali seria inevitável encarar a verdade. Rodrigo encostou o carro.

Parecia que eu não comia havia séculos. Não me afastei da caixa em nenhum momento. Escolhemos uma mesa mais afastada, buscando privacidade. Comemos em silêncio, cada um mergulhado em seus próprios pensamentos.

Foi Marlene quem quebrou o silêncio.

— Já estamos bem longe daquela cidade, alimentados… e sabemos de toda a história. Acho que chegou a hora de acabar com esse mistério. Você vai abrir essa caixa?

Olhei-a nos olhos e sorri, um sorriso breve e cansado. Ela tinha razão.

Coloquei a caixa sobre a mesa, reli o bilhete de Jorge mais uma vez e desatei o nó. Antes, porém, trocamos olhares rápidos e discretos, certificando-nos de que ninguém nos observava.

Dentro havia um envelope, uma carta e um pacote envolto em pano.

Abri o envelope. Dele caiu uma fotografia. Peguei-a. Era Jorge. Ao seu lado, uma mulher bonita, sorridente. À frente dos dois, um garoto de cerca de oito anos. Mostrei a foto aos outros, comentando que deviam ser a esposa e o filho.

Abri a carta e li em voz alta:

“Olá, meu amigo.
Como te disse, preciso de um último favor. Provavelmente, quando estiver lendo esta carta, se tive sorte, estarei muito longe, sem chances de voltar. Se não tive… bem, você já sabe de tudo.

Desde que te conheci, soube que podia confiar em você. Que, se precisasse, me ajudaria. Veja isso como uma grande armação daquele que nos criou — e sou grato por isso.

Desculpe por te envolver, mas, na verdade, não tive escolha. Antes de te pedir o favor, deixo um conselho: saia da estrada, esqueça sua busca, encontre alguém e viva o melhor que puder. É bom demais ter quem amamos por perto. Não deixe essa pessoa distante; traga-a para bem perto. Sei que encontrará alguém tão bom quanto você.

Dentro do pano encontrará o suficiente para cumprir meu último pedido. Há ali todas as informações e orientações necessárias. Mas, por favor, não conte tudo o que aconteceu à pessoa que procurar. Diga apenas que me conheceu e que lhe pedi esse favor.

Mais uma vez, obrigado. Fique com Deus.
Jorge.”

Fechei a carta lentamente. Ao erguer os olhos, percebi uma lágrima escorrendo pelo rosto de Marlene.

Peguei o pacote e o abri.

Meu Deus.

Dentro havia dinheiro. Muito dinheiro. E mais um papel.

Assustado, fechei a caixa de imediato e olhei para os dois. Eles pareciam tão atônitos quanto eu.

Abracei a caixa contra o peito e, quase instintivamente, todos olhamos ao redor. O restaurante estava quase vazio. Ninguém parecia ter notado nossa agitação.

Rodrigo se levantou para pagar a conta. Eu e Marlene seguimos para o carro, onde Dingo nos aguardava, atento.

Pouco depois, Rodrigo se juntou a nós e perguntou, em voz baixa:

— O que vamos fazer?

Respirei fundo antes de responder, já abrindo a porta do carro:

— Vamos embora daqui. Agora.








sábado, 17 de novembro de 2012

Já o vi em algum lugar...

Sempre me pergunto isso, quando vejo alguém familiar. Sou um péssimo fisionomista. Conheço hoje e amanhã fico na dúvida de quem é. Mas as vezes me pego reparando em uma pessoa dizendo: "Já o vi em algum lugar..." ou mesmo na TV, reparando na aparência de atores que me lembram alguém.  Um caso interessante são os personagens de desenhos ou mesmo de filmes, alguns com certeza devem terem sido criados, baseado em pessoas comuns ou quase comuns... Veja abaixo.

Cara de um, focinho do outro.



























sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A coruja da chácara

Adorávamos ir para nossa chácara nos feriados.

Sempre saíamos à noite, depois do trabalho, para passar alguns dias tranquilos, curtindo a natureza, com muita paz e sossego.
Era uma hora e meia de estrada até Caçapava/SP.

Depois que deixávamos a rodovia, a estrada que nos levava até lá era completamente às escuras, cercada de árvores enormes. A escuridão era total.
Dirigir por ali exigia atenção redobrada: podíamos ser surpreendidos por um animal atravessando, por galhos caídos ou até por um buraco escondido no breu.
Já vimos de tudo naquela estrada: pássaros noturnos, gambás, cobras... e outras criaturas que nem conseguimos identificar, tamanha era a escuridão.

Às vezes, eu pedia para o mano véio apagar os faróis, só para sentirmos o peso daquela escuridão absoluta. Não se via nada, nada mesmo — um medo gostoso, desses que a gente só sente porque sabe que está protegido.
Com os faróis ligados, enxergávamos só até onde a luz alcançava, como num túnel de sombras.

Quando a noite era de luar, então, era um espetáculo.
Os raios da lua atravessavam os galhos das árvores, desenhando a estrada em sombras prateadas. Cena de filme.
Todos nós amávamos essas noites de viagem.

A chácara era recente. Tínhamos comprado para nossos velhinhos, e ainda precisava de muita reforma.
Naquela noite, como sempre, desci do carro para abrir o portão, enquanto o mano véio manobrava para estacionar.
Fui entrando na frente e destranquei a casa.

Assim que cruzei a porta, percebi: não estávamos sozinhos.

Dei dois passos lentos para dentro, sumindo da visão do mano véio, que ainda iluminava a entrada com os faróis.
Ouvi o carro sendo desligado, a porta batendo.
Enquanto andava no escuro em direção ao interruptor, tropecei na mesa de centro e fiz um barulho enorme.

O mano véio, lá fora, gritou:

— Dê?! (Esse era mais um dos meus apelidos.)

— Acende a luz logo, cara! Tá muito escuro aqui!

Apareci na porta, sério:

— Não estamos sós.

Pensa num cara ficando branco.
Não... Mais branco ainda. Mais que albino!

Ele congelou, sem falar nem se mexer.
Fiz sinal de silêncio e o chamei com a mão para se aproximar.

Quando ele chegou bem na entrada, acendi a luz.

Foi quando começou a gritaria.

Dentro da casa, um barulho enorme, coisa voando pra todo lado.
O mano véio? Sumiu.

— Deixa que eu resolvo! — gritei da porta, rindo por dentro.

Entrei e, depois de alguns minutos, saí triunfante, carregando um embrulho enrolado numa toalha.
Chamei o mano véio, ainda escondido atrás do carro, e, morrendo de rir, mostrei a ele o nosso "invasor": uma coruja.

Fui até o quintal e a soltei na noite.

Depois dessa presepada que armei pra ele, nunca mais me deixou entrar primeiro.
Fazia questão de desligar o carro, descer, abrir o portão, abrir a casa, acender todas as luzes...
Só então me deixava sair.

Veja só que coisa...

Só por causa de uma coruja.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Crônicas Florestais

Crônicas Florestais

Neste livro, Claudio Silva reúne muitas crônicas, com fatos engraçados e que realmente aconteceram com os seus colegas de profissão, dentro e fora da do ambiente de trabalho. ele tentou descrevê-los de forma mais fiel possivel, porém não resistiu á tentação de realizar algumas adaptações, para facilitar a leitura e deixar o texto um pouco mais engraçados.





Opinião:

Uma leitura agradável e divertida, para mim principalmente por conhecer a maioria dos participantes das crônicas. Não sei se encontrarão para comprar, mas é um livro que vale a pena ler pra se divertir.

# 111 - Will Smith

Pensamento Vivo - 111
 


"A vida inteira as pessoas tentam te enlouquecer, te desrespeitar e te tratar mal. Deixe Deus cuidar disso, pois sentir ódio no coração também pode acabar te consumindo."



Will Smith