quarta-feira, 31 de outubro de 2012
# 104 - Beethoven
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Fenix...? Fala sério.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Aonde foram nos meter.
# 103 - Sigmund Freud
Boa segunda!
domingo, 28 de outubro de 2012
Andarilho XV - Reencontros
Primeiro, o susto com Jorge. Depois, o reencontro com Marlene e seu irmão — os verdadeiros donos de Dingo, ou melhor, Tobi. Um cão que encontrei tão longe dali e que, contra toda lógica, reapareceu exatamente no meu caminho. E agora, como se não bastasse, Carlos surgia diante de mim. O mesmo homem que me dera carona no início da jornada e me confiara a história que mudara sua vida.
Seriam apenas coincidências… ou eu estava começando a enlouquecer?
Não consegui me conter. Fui em sua direção e o chamei pelo nome. Com os olhos fundos e o semblante abatido, ele demorou alguns segundos para me reconhecer. Então, sorriu. Estendi-lhe a mão e o cumprimentei, perguntando de imediato o que fazia ali.
A resposta veio como mais um golpe inesperado.
O Dr. Gustavo havia sido o homem que o ajudara naquele momento decisivo de sua história. O homem do prédio da Luz Azul.
Trocamos poucas palavras. Ele parecia emocionado demais para longas conversas. Em seguida, entrou com a família no velório.
Voltei lentamente ao lugar onde estava, ainda tentando organizar tudo aquilo. Dingo não se movera. Permanecia sentado, no mesmo ponto, como se aguardasse algo.
Tentei alinhar os fatos. Pegara carona com Carlos até Cruzeiro, ainda em São Paulo. Encontrara Dingo Pança na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro. Muito depois, já longe de tudo, surgira Jorge, o vendedor de redes, que me conduzira por um caminho improvável. Esse caminho me levara até Marlene e seu irmão — os donos de Dingo.
E agora, novamente, Carlos.
O que mais ainda estava por vir?
Sentei-me ao lado de Dingo, acariciando-o, sem tirar os olhos da entrada do velório, como se algo mais ainda precisasse se revelar.
Marlene saiu mais uma vez. Olhou em nossa direção, sorriu e começou a caminhar até nós. Fiz menção de me levantar, mas ela sinalizou para que eu permanecesse ali. Aproximou-se e sentou-se ao meu lado.
— Você não gosta disso, não é? — disse ela. — Eu também não.
Antes que eu respondesse, pousou a mão sobre a cabeça de Dingo, tocando de leve a minha. Afastei a mão, quase instintivamente. Ela sorriu.
Estava abatida, mas ainda conseguia sustentar um sorriso tímido nos lábios.
Contei-lhe sobre Carlos. Ela se surpreendeu com a ligação entre nossas histórias. Não o conhecia, mas ficou admirada ao saber da afinidade dele com seu avô. Então lhe contei a história da Luz Azul.
Enquanto acariciava Dingo, emocionou-se ao saber que o avô havia ajudado aquele homem e que o reconhecimento desse gesto trouxera alguém de tão longe para se despedir dele.
Perguntou-me sobre meu futuro. Para onde eu iria. O que eu buscava.
Não soube responder. Percebi o desapontamento quando ela baixou a cabeça. Em seguida, ficou séria e me encarou.
— O que é isso na coleira do Tobi?
Olhei com atenção. Havia algo preso na parte interna da coleira. Soltei-a do pescoço de Dingo e encontrei um pequeno papel fixado com um grampo.
Jorge.
As palavras dele vieram imediatamente à memória. Lembrei-me de quando colocou a coleira em Dingo e disse que, após uma semana, eu deveria retirá-la para lavar. Ele havia premeditado tudo.
Abri o papel e li:
“Desculpe, amigo, mas ainda preciso de você.
Está tudo descrito naquela caixa do correio. Basta se identificar e te darão a chave.
Por favor, me ajude.”
Levantei os olhos e encarei Marlene.
— Preciso partir… agora.